Parma - Uma prostituta uruguaia vai iniciar uma batalha legal para não pagar impostos na Itália, país onde reside desde 2004 e onde a Guarda de Finanças exige que ela pague 90 mil euros pelos ganhos obtidos no exercício de sua profissão.
"Não quero pagar, com esse dinheiro eu sustento minha família no Uruguai", comentou a mulher, de 32 anos, que vive em Parma, no norte do país, com permissão legal de residência.
O advogado da jovem, Luca Berni, sustenta que "se querem exigir impostos das prostitutas, devem garantir antes formas de tutela, regularização e assistência, que atualmente não existem na Itália". Berni destacou que na Itália "a prostituição não é crime", mas "a exploração de prostituição é".
"Minha cliente trabalha por conta própria e não explora ninguém", acrescentou o advogado, que vai contestar o valor exigido como imposto sobre os ganhos de sua cliente.
"Com meus rendimentos sustento quatro crianças, entre as quais uma filha de oito anos e dois órfãos de minha prima", explicou a mulher ao jornal local Gazzetta di Parma. "Tem também uma garota doente mental, que precisa de cuidados: estão todos com minha mãe", acrescentou.
empresários e profissionais, de Parma e também de Milão". "Eles tem meu número de telefone e me passam uma [soma] fixa mensal", concluiu.
O partido de extrema-direita Liga Norte se manifestou hoje contra a permanência da mulher no país. O conselheiro regional do partido, Roberto Corradi, pediu que seja revogado o visto de estadia e que a uruguaia seja expulsa da Itália.
"Se for confirmado que essa mulher reside em nosso país desde 2004 com o visto de estadia regular, mas que desde então não desempenhou nenhuma atividade profissional, a não ser a chamada mais antiga profissão do mundo, acredito que seria necessário revogar seu visto e expulsa-lá imediatamente do país", disse Corradi.
A Liga Norte faz parte da base de aliados de Silvio Berlusconi no governo italiano. "Independentemente da possibilidade de taxar os lucros da prostituição, creio que nosso país pode tranqüilamente dispensar a presença de imigrantes que se dediquem a prostituição", afirmou Corradi.
Há alguns dias a Guarda de Finanças apresentou à uruguaia uma "conta" de 90 mil euros, calculada em base aos 375 mil euros que ela ganhou em quatro anos com sua atividade. Segundo a polícia fiscal italiana, "o meretrício é um ato ilícito" e seus lucros podem ser taxados "como renda diferente derivada de atividades ilícitas".