Nova York - O desejo de uma Nova York menos poluída irá em parte se tornar realidade durante três sábados de agosto quando em Manhattan será fechado para o tráfego um corredor de dez quilômetros, da ponte do Brooklyn até a Upper East Side.
Com o apoio do ciclista Lance Armstrong e do cantor David Byrne, um apaixonado pelas bicicletas, o prefeito Michael Bloomberg anunciou "o experimento" para mandar um sinal aos seus cidadãos: "Pedestres e bicicletas da Big Apple têm direitos iguais de cidadania que automóveis, caminhões e táxis".
A iniciativa, que provocou a imediata revolta dos comerciantes da região onde o tráfego será fechado, foi aplaudida pelos cidadãos e sobretudo pelos mais de 130 mil nova-iorquinos que, com o apoio de Bloomberg, começaram a usar a bicicleta como meio de transporte.
O uso da bicicleta em Nova York aumentou 77% entre 2000 e 2007, mas com o aumento de sua popularidade, aumentaram também os acidentes fatais. Somente no ano passado, 23 ciclistas perderam a vida nas ruas de Nova York, um recorde nos últimos oito anos.
Com os mortos surgiram também os memoriais: 35 "bicicletas fantasmas" pintadas ao lado de um pau hasteado no local do acidente.
De Nova York a iniciativa contagiou outras cidades amigas das duas rodas, como Seattle, Chicago, São Francisco e Pittsburgh, nas quais também aumentaram os acidentes fatais.
A iniciativa da ilha de pedestres - que ocorre nos dias 9, 16 e 23 de agosto das 7h à 1h - poderá ser uma resposta ao problema, "se funcionar iremos repetir o experimento, se não funcionar iremos abandoná-lo", disse Bloomberg.
A faixa sem tráfego irá da ponta sul de Manhattan até a 72a avenida que, por sua vez, será fechada aos carros para se ligar ao Central Park.
"Ao longo do percurso haverá aulas fitness, ioga, e bicicletas para alugar", explicou o assessor de transportes, Janete Sadik-Khan.
"Será um modo novo de usar a Park Avenue, mais como um parque que como uma avenida", comentou Paul Steely White, diretor da Transportation Alternatives, um grupo que busca promover meios alternativos aos automóveis para o deslocamento na cidade.
Muito menos calorosa foi a recepção dos comerciantes. Tom Harper, dono de uma loja de ervas medicinais em Chinatown, incluída na zona fechada ao tráfego, protestou dizendo que sua mercadoria não cai do céu: "Quem irá me fazer a entrega?".
Bloomberg, pelo contrário, afirma que o comércio irá ganhar com as ilhas de pedestre, assim como bares restaurantes ganharam com a entrada em vigor da proibição do fumo, um veto que na época de seu lançamento foi recebido com inúmeros protestos por parte dos fumantes.