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:: Bahia ::
Gastronomia
Restaurante monta pratos exóticos com frutas tropicais
  • Anna Carolina Lima e Larissa Tolentino
  • Domingo, 08/06/2008 - 09:24

    Salvador - Já imaginou o que é levar seis meses para chegar ao ponto ideal e deixar um prato pronto para consumo? Pois é, essa façanha resultou numa das especialidades do restaurante Paraíso Tropical, as frutas grelhadas, experiência do chef de cozinha Beto Pimentel, que recria receitas e inova a culinária baiana.

    Beto criou o restaurante a partir de uma simples rinha de galo que tinha no fundo do quintal de sua casa, no bairro do Resgate, em Salvador. “Na minha rinha se pagava R$ 10 para entrar e R$ 20 para sentar e comer. Imagine quanto dinheiro eu ganhava. Mas chegou um tempo em que resolvi cozinhar, e então pouco depois, a comida estava fazendo mais sucesso do que a rinha. Foi aí que acabei com ela e fiquei só com o restaurante. Assim que tudo começou”, conta Beto.

  • Clique aqui e veja a galeria de imagens do Paraíso Tropical (Fotos: Gildo Lima)

    Ana Carolina
    Beto Pimentel trocou a rinha de galo, no Resgate, pelo restaurante Paraíso Tropical, que já ganhou vários prêmios de melhor cozinha baiana do Brasil.(Fotos: Gildo Lima)
    O ambiente do Paraíso é rústico e familiar. É cercado de árvores, que proporcionam ao local uma sensação de tranqüilidade. A musicalidade fica por conta dos passarinhos e dos galos, que ecoam seus cantos enquanto os clientes se deliciam com os cardápios exóticos. “Tinha que fazer algo diferente, ou vocês acham que alguém ia sair da Barra para comer batata frita com arroz aqui no Resgate?”, pergunta Beto.

    A característica forte de seu negócio em servir pratos que variam de R$ 9,50 (Petisco) a R$ 155 (Moqueca), e sucos feitos a partir de ingredientes naturais e sem conservantes, vendidos a R$ 9,50, fez com que o Paraíso Tropical fosse considerado um dos principais e tradicionais pontos gastronômicos da cidade, o que lhe rendeu, por cinco anos consecutivos, o prêmio do Guia Quatro Rodas, como melhor cozinha baiana do Brasil, e o reconhecimento internacional, com a conquista do Commanderie dês Cordons Bleus de France, graduação onde só os chefes são escolhidos por sua contribuição na culinária mundial.

    A troca inteligente, saudável e não menos gostosa que faz do azeite de dendê pelo fruto do dendê e do leite de coco pelo coco verde batido com água de coco faz da sua moqueca algo indescritível. “Faço comida desde os sete anos, pois a empregada lá de casa cozinhava muito mal. Sempre gostei de cuidar de bicho, planta, criança e mulher”, diz.

    Entre os ingredientes utilizados pelo também agrônomo, estão frutas, temperos e hortaliças que fazem dos seus cardápios exóticos, a exemplo de um dos mais procurados, o Calapolvo (camarão, lagosta e polvo). Também são servidos o Dandá de Camarão, a Torta de Maturi e o Arroz Nabucetê. Esses pratos são resultado de uma plantação situada no fundo do restaurante, com seis mil pés e 137 variedades de frutas como biribiri, ingá, maracujá chinês, achachairú, kiwi, jambo, morango, bacupari, cambucás, entre outras. É lá que seu filho caçula de sete anos, João Vítor Pimentel, adora brincar. Beto também tem outra roça, com 34 mil variedades, em Bom Jesus dos Pobres, onde nasceu.

    O restaurante ainda é desconhecido pelos soteropolitanos. Entretanto é super valorizado por pessoas de diversos países. “É a primeira vez que venho aqui. O ambiente é muito bonito, original e típico. Tive conhecimento dele através de uma revista argentina”, conta a turista boliviana, Nancy. Já a bancária Vitória Gomes diz que soube da existência do restaurante pelas amigas. “Elas já conheciam aqui e me convidaram. Comi galinha caipira com coco verde. Senti uma paz. Fui transportada à minha infância. A gentileza das pessoas daqui é muito grande. Pretendo retornar mais vezes”, revela.

    Como a movimentação de clientes gira em torno de 30 a 40 pessoas/dia, de segunda a sexta, e de 70 a 80 nos fins de semana, Beto decidiu abrir uma filial em um casarão do bairro do Rio Vermelho. O Novo Paraíso Tropical tem uma área verde de 750 m², três ambientes diferentes, é luxuoso e requintado. “Essa é uma nova opção para as pessoas que moram distante do Resgate”, diz ele.

    Beto é pai de 23 filhos, viúvo quatro vezes, extremamente simpático e de bem com a vida. “Seu Beto parece uma criança. Impulsivo nas suas atitudes e uma incrível facilidade de esquecer coisas ruins e perdoar pessoas”, diz Hernani Santos, funcionário do restaurante há quatro anos.

    Serviço:

    Restaurante Paraíso Tropical
    Rua Edgar Loureiro,n 98 B, N Senhora do Resgate - Cabula.
    Tel.: (71) 3384- 7464
    Funcionamento: de segunda a sábado das 12 às 23 hs
    aos domingos das 12 às 22 hs
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