China autoriza ajuda de médicos estrangeiros; Birmânia nega
AGÊNCIA LUSA
Segunda-feira, 19/05/2008 - 10:57
Pequim - A China vai autorizar a entrada de equipes médicas estrangeiras para auxiliar nos trabalhos de socorro às vítimas do terremoto que na última semana devastou a província de Sichuan, anunciou Pequim nesta segunda-feira.
"Tendo em vista as necessidades atuais nas operações de socorro, a Cruz Vermelha da China vai autorizar a vinda de algumas equipes médicas estrangeiras para participarem dos trabalhos de auxílio", anunciou o porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Qin Gang, em comunicado divulgado na internet.
A Birmânia (Mianmar) negou a entrada no país de voluntários da ONG portuguesa Assistência Médica Internacional (AMI), que pretendiam auxiliar as vítimas do ciclone que castigou o país há duas semanas, contou nesta segunda-feira à Agência Lusa o médico português Fernando Nobre.
"Na quinta-feira, a embaixada da Birmânia em Roma nos enviou uma resposta escrita dizendo que não precisavam da nossa ajuda e que, se necessitassem, pediriam", contou o médico, lamentando a rejeição da ajuda humanitária.
A recusa da Birmânia será formalmente comunicada pela AMI ao governo português.
No entender de Fernando Nobre, as autoridades birmanesas não querem divulgar a verdadeira extensão da tragédia provocada pelo ciclone e temem o contato do povo com organizações ocidentais.
Como a AMI "não pode saltar de pára-quedas com a ajuda nas costas", a organização está ponderando o envio de uma ajuda financeira de 10 mil euros (R$ 25.600) para o arcebispo de Rangum.
"Penso que a única forma de ajudar agora é através da Igreja Católica", comentou Fernando Nobre.
Esta semana, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, viaja à Birmânia para discutir a questão da ajuda internacional às vítimas do ciclone Nargis.