Terremoto desencadeia onda de solidariedade na China
AGÊNCIA LUSA
Sexta-feira, 16/05/2008 - 12:06
Pequim - O terremoto em Sichuan, que pode ter matado 50.000 pessoas, segundo as autoridades chinesas, desencadeou uma campanha de solidariedade que mobiliza indivíduos e empresas para apoiar as populações e enviar ajuda às zonas mais afetadas.
Mensagens de telefones celulares, apelos em páginas da internet, palavras de ordem em correios eletrônicos, ação cívica e donativos constituem algumas das formas de ajuda que cidadãos e empresas chinesas encontraram para intervir no auxílio e recuperação da tragédia que atingiu o sudoeste do país.
"Estou muito satisfeito com a resposta do governo, dos grupos sociais, universidades e empresas que organizaram a recolha de donativos", disse à Agência Lusa Wang Buran, que viveu o terremoto em Chengdu.
"Parece que desde a pessoa mais comum à autoridade máxima todos querem ajudar", disse o engenheiro de 29 anos.
De acordo com o Ministério da Administração Interna chinês, enquanto os esforços de resgate continuam numa luta contra o tempo para salvar vidas, os donativos públicos, tanto em dinheiro como em material, já somam US$ 86 milhões.
"Envie o número '1' ou '2' para o 1069999301 para doar 1 ou 2 renminbi (cerca de nove ou 18 centavos de euros), respectivamente, para o fundo de recuperação do sismo da Cruz Vermelha chinesa", lê-se numa das mensagens que circula por celular na China.
"Eu recebi várias mensagens de celular, umas para doar dinheiro e outras para passar palavras de apoio às vítimas do sismo", disse à Lusa Angela Li, uma funcionária administrativa de 30 anos, de Pequim.
Numa das mensagens que circula por correio eletrônico lê-se: "Quando o terremoto abala a terra, marchamos abrindo um caminho! Com coragem, vamos enfrentar os sofrimentos e dificuldades. Nós, chineses, erguemo-nos direitos! Transmite esta mensagem a cinco amigos e reze pela paz dos habitantes nas zonas atingidas pela calamidade."
Na opinião de Ângela Li, esta onda de apoio e solidariedade "é um sinal de que os chineses estão unidos num momento difícil e estão preparados para ajudar o próximo e o seu país quando é necessário".
Nas páginas de internet chinesas mais populares como a sina.com, xinhuanet ou tianya.cn, internautas expressaram a sua preocupação e apoio às vítimas do terremoto e citaram que estavam a rezar pela segurança dos cidadãos de Wenchuan, epicentro do tremor onde as equipes de salvamento vão chegando com dificuldades e têm encontrado cidades completamente destruídas e milhares de pessoas entre os escombros.
"Por favor, sejam corajosos e confiantes", escreveu um internauta na página tianya.com.
Na xinhuanet, outro cidadão apelava para que todos os chineses do mundo "ajudem os desafortunados a reconstruir as suas casas".
O MSN China está inundado de imagens do arco-íris, numa campanha que convida os internautas a expressar as suas "orações e união dirigidas à zona atingida pelo desastre do tremor de Wenchuan/Sichuan".
"Nós acreditamos que há sempre um arco-íris depois do vento e da chuva", explicou à imprensa chinesa um funcionário do MSN (serviço de mensagens instantâneas) China, justificando que o arco-íris é um símbolo que representa esperança e anuncia sorte.
"Eu recebi um apelo para ajudar com a entrega de bens essenciais ou dinheiro através da newsletter de uma livraria que recebo por correio eletrônico", contou à Lusa Sónia Câmara, 32 anos, designer gráfica em Pequim.
Sónia Câmara citou que até que os números de vítimas começaram a aumentar, não se havia percebido de "como o terremoto foi uma autêntica tragédia".
"Vou contribuir com energia humana que é o mínimo que posso fazer uma vez que não estou em Chengdu. Vou dar algum dinheiro, alimentos e roupas", assegurou.
Na página principal do China Daily, o maior jornal de língua inglesa, lêem-se dois apelos: "Como pode ajudar" e "Precisa-se sangue AB", com as indicações do que os cidadãos podem fazer para contribuir no alívio das necessidades na zona do abalo.
"Vários amigos me falaram que podemos ir dar sangue e recebi mensagens da empresa onde trabalho e de pessoas ligadas a associações de caridade para contribuir com dinheiro e alimentos", afirmou Pedro Aguiar, um português que vive em Xangai.
O engenheiro eletro-técnico de 27 anos contou que "em Xangai, as pessoas estão em choque com o número de mortes e com a situação" e disse que planeja doar sangue por achar que é "algo essencial para ajudar".
Segundo o jornal oficial China Daily, em apenas 72 horas, mais de 1000 empresas contribuíram com milhares de renminbi, com 16 das maiores empresas estatais a doarem 113 milhões de renminbi (10,4 milhões de euros) cada uma.
A China Insurance, maior empresa de seguros do país, afirmou que vai auxiliar todas as crianças que perderam os pais no sismo até que elas tenham 18 anos.