Filme com Catherine Deneuve abre Festival de Cannes
Agência ANSA
Sexta-feira, 16/05/2008 - 16:45
Nesta sexta-feira (16) irá ocorrer a projeção do primeiro filme francês em concurso no 61ª Festival de Cinema de Cannes, "Un conte de Noel" (Um conto de Natal, ndr), do diretor Arnaud Desplechin e com Catherine Deneuve no elenco.
Uma sinfonia familiar mais que harmônica, uma história terrível de segredos, amores aparentes, outros escondidos, venenos e antídotos e nesse ninho de víboras reina uma mãe de família como Catherine.
É uma reunião de família toda especial aquela colocada em cena na grande casa de Roubaix. Prepara-se o Natal e faz-se as contas com o passado e o futuro, a vida de todos passa sob a lente de aumento do diretor, como um cirurgião na sala de operação. No centro, o tabu da falta de amor pelos filhos.
"Quando faço um filme devo me apropriar das coisas, sou, antes de tudo, espectador da vida, mas o cinema, quando nos esforçamos, é mais bonito que a realidade", disse o diretor.
A história parte do ocorrido com o primogênito de Junon (Catherine) e Abel (Jean Paul Roussillon), Jopseph, morto há seis anos de leucemia após não ter encontrado um doador compatível, mesmo os pais tendo tido um outro filho, Henri, apenas para conseguir o transplante.
É assim que Henri (Mathieu Amalric) cresce com a culpa, odiado pela irmã Elizabeth (Anne Consigny), suportado pelo irmão Ivan (Melvil Poupaud) e pelo primo Simon (Peurent Capelluto).
Elizabeth vai a um tribunal para salvá-lo de algumas dívidas com o acordo de que a partir de então ele irá desaparecer de suas vida.
A mãe Junon irá descobrir, no entanto, que tem a mesma doença que matou seu filho. Paul, o lunático adolescente filho de Elizabeth, é doador compatível, mas um relatório médico aponta que Henry também o é.
Neste meio tempo Silvia (Chiara Mastroianni) descobre ser o amor secreto de Simon, acabando na cama com ele na noite do Natal, acorda na manhã seguinte com a inexplicável indiferença do marido Ivan e dos dois filhos.
Mas das tantas cenas chave, uma é central, a mais difícil para Catherine: "Tive dificuldades em pronunciar aquela frase, dizer a um filho que não o ama. Nós somos programadas para amar os filhos, mas nem sempre é assim, nunca, no entanto, se consegue admitir. De resto, Desplechin coloca em cena um casal, Junon e Abel, tão fortes, tão exclusivistas, capazes de deixar de fora todos os outros, os filhos inclusive".
Até mesmo as cenas da doença, a descoberta do câncer, o cálculo das possibilidades de sobrevivência, têm um lado de humor, mas não aquelas com o filho Henri.
Catherine continua a figurar entre as atrizes francesas mais procuradas, também entre os diretores jovens: "envelheço bem graças à minha curiosidade, talvez por isso que os novos diretores também me escolham".
Interpretar junto da filha Chiara Mastroianni não criou para ela "nenhuma dificuldade. Era estranho no início, agora é divertido. No set a considero uma atriz como as outras".
Desplechin, de 47 anos, que havia dirigido Catherine também em "Reis e Rainhas" (2004), define seu olhar "neutro". "Apresentei a família como ela é, lugar de venenos, às vezes em guerra, outras embaraçantes, sempre interessante. Contei como uma fábula, sem, no entanto, a moral no final".