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Assistªencia
Papel educativo das creches ainda é subestimado, afirmam especialistas
Domingo, 11/05/2008 - 13:36

Brasília - Em muitos estados e municípios, as creches públicas ainda são vinculadas às Secretarias de Assistência Social, e não à Secretaria de Educação. Segundo a presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Justina Silva, o quadro reflete uma mentalidade antiga, que precisa ser revista pela sociedade brasileira.

Para muitas mães, o que importa é a garantia da vaga, enquanto o desenvolvimento e o aprendizado da criança ficam em segundo plano. “É uma cultura que vai aos poucos sendo superada”, afirma Justina. Ela disse que as creches eram consideradas antigamente um espaço para acolher a criança e garantir sua alimentação da criança. “É como se isso bastasse na cabeça das mães, mas as creches não podem fornecer apenas o acolhimento – têm mais do que a função de cuidar, é cuidar e educar.”

A coordenadora-geral de Infra-Estrutura Educacional do Programa Nacional de Reestruturação e Aparelhagem da Rede Escolar de Educação Infantil (ProInfância), Maria Fernanda Bittencourt, considera a mudança cultural um desafio tão grande quanto o acesso e o financiamento para a expansão da rede.

“Essa é uma cultura de assistência social, e a gente quer mudar essa visão. A mudança de concepção da educação infantil também levará a um melhor atendimento na infra-estrutura”, disse a coordenadora do ProInfância.

Para garantir a qualidade do ensino infantil, a presidente da Undime defende também o aumento do que é investido por aluno da educação infantil. “O Brasil inteiro precisa discutir essa questão e entender que essa fase é fundamental, importantíssima”, explicou Justina.

O Centro Comunitário da Criança, na cidade-satélite de Ceilândia, no Distrito Federal, por exemplo, já procura dar aos 120 alunos mais do que comida e atenção das professoras. A creche comunitária dispõe de sala de leitura, horta, parquinho e salas de vídeo e de informática. A entidade é mantida por meio de convênios com o governo do Distrito Federal e outros parceiros.

Os pais que trabalham têm preferência para conseguir as vagas, e os alunos são encaminhados pelo Centro de Referência das Assistência Social do Distrito Federal. Segundo a coordenadora pedagógica da creche, Luana de Oliveira, o maior problema ainda é atender à demanda.

“A briga é o ano inteiro por vaga. São muitas crianças que necessitam, mas infelizmente não podemos atender a todos como queríamos – tem pais que chegam chorando, e a gente fica sem saber o que fazer.”

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