Belgrado - A campanha política para as eleições legislativas deste domingo na Sérvia teve como temas principais a autoproclamada independência do Kosovo, a aproximação de Belgrado da União Européia (UE) e os insultos proferidos entre legendas reformistas, até agora aliadas na coalizão do Governo.
Embora praticamente todos os partidos tenham assegurado que nunca reconhecerão a independência do Kosovo, diferem em suas posições sobre a forma de "recuperar" o território que os sérvios consideram sua "terra sagrada".
As acusações contra Tadic ganharam força, sobretudo após a assinatura do Acordo de Estabilização e Associação (SAA, na sigla em inglês) com a UE, em 29 de abril último. O pacto com o bloco continental representa, segundo Kostunica e seu Partido Democrático da Sérvia (DSS), um reconhecimento tácito da independência do Kosovo.
Tadic foi acusado de promover "atos anticonstitucionais", de "ter mentido ao jurar o cargo (de presidente)" e de ser "cúmplice nas tentativas de fragmentação do Estado".
As críticas vieram, sobretudo de Velimir Ilic, aliado de Kostunica e líder do partido Nova Sérvia (NS). Ilic é uma figura pitoresca, propensa a disparar insultos e blasfêmias contra seus adversários.
O presidente, que preferiu promover uma campanha "positiva", de palavras medidas e de otimismo, prometeu em todas as regiões do país firmeza para "recuperar" o Kosovo e fortalecer a Sérvia.
Condenou o "isolamento" dos nacionalistas e defendeu uma maior integração, para atrair novos investimentos e avanços na economia.
Enquanto dura a guerra verbal entre os até agora "companheiros reformistas", o Partido Radical Sérvio (SRS), ex-aliado do ex-líder autoritário Slobodan Milosevic, tenta impor-se como legenda de patriotismo indubitável e o defensor mais insistente com relação ao Kosovo.
Pesquisas apontam que o SRS e o DS serão as duas legendas mais votadas amanhã, mas que nenhuma obterá maioria absoluta.