Roma - Os italianos estão cada vez mais apaixonados pelos automóveis. E cada vez mais reféns deles. A histórica paixão, geralmente divulgada como fator positivo, fez a Itália bater o recorde de um veículo a cada dois habitantes em 2006, nível alarmante para um país pequeno, de cidades tombadas e que teoricamente está na luta contra a emissão de gases poluentes.
O quadro emerge a partir dos dados contidos na primeira edição do volume "100 estatísticas para o país; Indicadores para conhecer e avaliar", apresentado hoje pelo instituto de pesquisas Istat.
Ao verificar a evolução dos números, nota-se que a taxa de motorização na Itália passou de 501 automóveis por mil habitantes, em 1991, para 598,4 a cada mil italianos, em 2006. O aumento médio anual é de 1,3% e os números atuais representam uma das maiores taxas do mundo -- exatamente 1,2 veículo a cada dois habitantes.
Se for levado em conta o fato de que a Itália é um país de idosos, que geralmente não dirigem, pode-se concluir que a população jovem e adulta está maciçamente motorizada. E o desenvolvimento da infra-estrutura viária está relativamente limitado, já que muitas cidades e zonas de tráfego intenso não podem ser modificadas devido ao tombamento e valor histórico das construções, como acontece em Roma, por exemplo.
Na comparação com outros países da Europa, através de dados de 2004, a Itália assinala 581 carros por mil habitantes e só perde para Luxemburgo (659 por mil, naquele ano). Os números superam em quase 26% a média européia, de 463 por mil. A Romênia, último país da lista, soma 149 carros por mil (certamente não por consciência da população, mas por atraso econômico).
Mesmo países ricos e altamente industrializados como o Reino Unido não possuem índices tão elevados. Ainda segundo dados de 2004, Inglaterra, Gales e Escócia (sem a Irlanda do Norte) somam 463 automóveis por mil habitantes. No norte da Europa, Dinamarca (354), Finlândia (448), Holanda (429), Irlanda (385) e Suécia (456) têm números abaixo da média, assim como Espanha (454) e Grécia (348), países similares à Itália.
Em nível nacional, quem registrou o maior aumento, desde 1991, foram as motocicletas, justamente aquelas que poluem mais. Em 2006, as motos somaram 5,3 milhões de unidades e a evolução dos números acena um crescimento constante na categoria.