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Agronegócio
Bahia amplia geração de trabalho e renda na cajucultura
Segunda-feira, 17/03/2008 - 22:54

Brasília – Claudiana da Costa, 22 anos, e Jorge de Oliveira, 18, são jovens estudantes em Cícero Dantas, cidade do nordeste baiano. Com a inauguração, no dia 14 de março, de uma minifábrica de beneficiamento de castanha de caju no município, ambos conquistaram o primeiro emprego.

A instalação da unidade transfere tecnologia de beneficiamento da castanha do caju e insere agricultores familiares na cadeia produtiva da fruta, do plantio à comercialização. Outras duas fábricas foram abertas em
Banzaé e em Olindina, na mesma região. Juntas, as três unidades estão atendendo 2,7 mil pessoas. Cada unidade tem capacidade para produzir até 40t de amêndoas por ano.

Claudiana Pinto da Costa mora na Fazenda Sítio Juazeiro e não tinha trabalho fixo. Há quatro meses na fábrica de caju, produz de 13kg a 14kg de castanha por dia. Ela opera, em conjunto com uma colega, uma mesa de corte do fruto. Pela produção, ganha R$ 220 por mês.

Seu colega Jorge Jesus de Oliveira está feliz da vida. Diz que o trabalho é o primeiro passo para “adiantar o futuro”.

Trabalho e renda - As fábricas são a oportunidade de o pequeno agricultor familiar agregar valor à produção, aumentar o preço do produto e elevar a renda e a qualidade de vida, como prega o presidente da Cooperativa da Cajucultura Familiar do Nordeste da Bahia (Cooperacaju), José Roberto de Souza. A entidade agrega 366 famílias associadas que ingressaram na economia solidária para melhorar a qualidade de vida. A meta é que, ainda em 2008, o número de associados atinja o milhar. “São pessoas que estão apostando na organização do trabalho, que começam a acreditar na sua capacidade e a sonhar com dias melhores”, diz José Roberto. Eles pretendem comercializar seus produtos no norte da Bahia, chegar à capital, principalmente aos hotéis e supermercados, e obter, em média, o lucro de um salário mínimo por mês. Não vai ser difícil. Se aos atravessadores um quilo da castanha in natura era vendida entre R$ 0,60 e R$ 1, agora, processada, pode chegar até a R$ 20.

O especialista em Cooperativismo e Agricultura Familiar Paulo Wataro acredita que a maior dificuldade na implantação do projeto foi o passado de iniciativas fracassadas e o assistencialismo de políticas anteriores. Ele lembra a música do Gonzagão, que compara a aceitação de esmola ao vício e à vergonha. Para dar continuidade ao projeto, Wataro receita dar seguimento às visitas às comunidades de agricultores para fortalecer a coesão do grupo.

As minifábricas integram um processo complementar de renda e integração com o campo, pois, nas chuvas, os agricultores vão cuidar da terra e, durante a seca, ocupam o tempo no processamento da castanha de caju.

Retorno - As três minifábricas receberam cerca de R$ 1,5 milhão de investimentos sociais da Fundação BB, como afirma o presidente da entidade, Jacques Pena. Ele recorda que, desde 2003, com o lançamento do Programa Fome Zero, a fundação passou a focar suas ações na geração de trabalho e renda, prioritariamente na região Nordeste.

O governador da Bahia, Jaques Wagner, também está apostando na cajucultura. Em 2008, ele irá distribuir 100 mil mudas de caju anão para os agricultores familiares. A árvore tem produtividade cinco vezes maior do que a atual: mil quilos por hectare.

No futuro, Fundação BB, o governo baiano e parceiros pretendem criar mais quatro fábricas e uma central de classificação e comercialização da amêndoa em Ribeira do Pombal.

O investimento do governo na cajucultura retorna na forma de impostos pagos pelos trabalhadores, pela comercialização das amêndoas e também pela formação de cidadãos como Claudiana Costa e Jorge Oliveira.

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