PMDB usa TV pública para pressionar governo no Senado
Do site www.congressoemfoco.com.br
Quinta-feira, 21/02/2008 - 09:32
Brasília - Mesmo tendo chances de ser aprovada no Senado já na próxima semana, a Medida Provisória (MP) 398/07, que cria a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), à qual será subordinada a TV Brasil, ainda pode ser usada pelo PMDB como moeda de troca para a obtenção de cargos do segundo escalão.
Isso porque, como PSDB e DEM pretendem votar contra a matéria, argumentando que ela não tem urgência que justifique a edição de medida provisória, o governo dependerá do apoio do PMDB para garantir a fusão entre a Radiobrás e outras três emissoras públicas – TV Cultura de São Paulo e TVEs do Rio de Janeiro e do Maranhão – que geraram a TV Brasil.
Apesar do líder do partido no Senado, Valdir Raupp (PMDB-RO), garantir que não há relação entre uma coisa e outra, nos bastidores, peemedebistas admitem que a MP da TV Pública só será aprovada se o presidente Lula ceder os cargos do setor de energia ao partido.
“Se o governo quiser uma TV, terá que dar Furnas”, brincou o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), ao afirmar que a aprovação da MP 398/07 não está garantida, porque “há outras questões” que farão o PMDB definir sua posição.
Entre essas “outras questões”, estariam as presidências da Eletrobrás e da Eletronorte e a diretoria internacional da Petrobras. O comando da Eletrobrás, aliás, é motivo de discórdia entre a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e caciques do PMDB.
A ministra tem defendido a indicação do ex-presidente da Eletronuclear Flávio Decat, enquanto o PMDB tenta emplacar o nome do ex-presidente da Eletronorte José Antônio Muniz Lopes.
“Mas não creio que a disputa de cargos irá influenciar na aprovação da MP”, garantiu o líder do PMDB, Valdir Raupp. “A gente não tem que ter muita ansiedade. Temos que votar com o governo nos projetos importantes para a sociedade”, disse ele, acrescentando que, nos dois primeiros anos do primeiro mandato de Lula, o partido não tinha cargo algum.
Segundo Raupp, o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, está “analisando currículos” e deve anunciar os novos ocupantes de cargos do setor elétrico na próxima semana.