Salvador - Basta dar espaço que o povo vai atrás do trio elétrico. Da Barra até Ondina a noite de ontem (domingo) foi um bom exemplo de como os Trios Independentes tem papel fundamental no Carnaval de Salvador. Passado os blocos, o que garantiu a festa até de madrugada foram eles, que traziam como atração artistas menos famosos e badalados. Pouco importava, quem faz a festa é o povo e lá estava ele atrás de todo tipo de trio. E tinha de tudo.
Quem abriu a noite dos independentes foi o Trio Elétrico Armandinho, Dodô & Osmar, que depois da passagem dos blocos era a opção para quem queria curtir boa música em paz e na tranqüilidade. O Trio arrastou uma multidão animadíssima com seu frevo elétrico. Logo atrás o Expresso 2222 trazia três gerações diferentes juntas, Pepeu Gomes e sua guitarra, relembrando o tempo dos carnavais dos Novos Baiano, o cantor Jauperi e Preta Gil, que se destacou cantando pagodes e decretando o fim do preconceito contra as gordinhas e as mulheres fora de padrão, com a música “Toda Boa”, música do Psirico.
Tinha mais trio atrás e foram os independentes que deram vida ao circuito Barra-Ondina madrugada adentro. Uma seqüência animou o grande público que ainda permanecia mesmo depois da passagem das principais estrelas. Cada um com seu perfil, mostrando que a diversidade reina mesmo é nos independentes. Viviane Trípodi, comemorando 20 carnavais, puxava uma massa cantando hits de todos os tempos do Carnaval baiano, enquanto a banda Mosiah mandava sucessos mundiais e nacionais do Reggae.
Bruno Nunes batizou seu trio de “Trio do Rock” e tocava Raul Seixas para depois emendar com o sucesso de 2006 “Crazy” do grupo Gnalrs Barkley, acompanhando de um DJ português. Logo atrás Wilton Pitta lançava sucessos de antigos carnavais, desde o galope “Cometa Mambembe” até os hits do samba-reggae “Senegal” e “Faraó”. A festa se estendeu até o fim da madrugada, provando que sem eles o Carnaval baiano vira apenas vitrine para as TVs e os horários que elas transmitem a festa.