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Pesquisa
Emprego é mais difícil para mulheres que vivem na periferia
Quinta-feira, 24/01/2008 - 18:42

Brasília - Uma pesquisa divulgada hoje (24) pela organização não-governamental (ONG) Grupo de Mulheres da Cidadania Feminina aponta que as mulheres que vivem na periferia das capitais não têm espaço no mercado de trabalho. O estudo foi feito com 64 mulheres da comunidade de Córrego do Euclides, um bairro de Recife (PE), e identifica as principais atividades, a remuneração e a etnia.

As informações foram reunidas em um catálogo, a ser distribuído nas ruas da capital pernambucana no sábado (26), Dia da Luta Global por um Mundo Melhor. "O problema é mundial, mas estamos tentando trazer visibilidade às mulheres da periferia, que estão cada vez mais pobres. O estudo é um apelo e vai mostrar a luta dessas mulheres", disse Rejane Pereira, coordenadora da ONG.

De acordo com a pesquisa, a maioria das mulheres é negra e recebe entre R$ 30 e R$ 180 mensais em atividades como preparo de alimentos para venda em casa, por não conseguirem ingressar no disputado mercado de trabalho. O resultado, acrescentou a coordenadora, é que "elas entram apenas no mercado informal: costumam vender pipoca, salgados, tapioca e outros alimentos, em barracas montadas geralmente diante das residências".

A coordenadora apontou o racismo como uma das barreiras para a profissionalização das mulheres, ao informar que 94% das domésticas e lavadeiras entrevistadas são negras. "Chegamos à conclusão de que é preciso enfrentar o racismo e chamar a atenção das autoridades para a pobreza dessas mulheres e para as dificuldades que elas encontram”, alertou.

O Mapa da População Negra no Mercado de Trabalho, elaborado em 1999 pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), aponta que a mulher negra sofre uma dupla discriminação no mercado de trabalho. E que o desemprego entre negros, em Recife, só fica atrás do de Salvador, que tem taxas de 26,3% (mulheres) e 20,7% (homens). Na capital pernambucana, o índice para mulheres negras é de 25,6% e para os homens, de 18,5%.

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