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Violência
Mais duas igrejas são queimadas no Quênia
Quinta-feira, 03/01/2008 - 12:59

Brasília - A polícia queniana reprimiu hoje (3) a manifestação convocada pelo candidato derrotado nas eleições presidenciais da última quinta-feira (27). O candidato de oposição Raila Odinga havia convocado 1 milhão de partidários a se reunir na praça Uhuru, no centro da capital queniana para protestar contra os resultados da eleição, quando o presidente Mwai Kibaki foi reeleito, em meio a acusações de fraude.

De acordo com números fornecidos pela polícia, cerca de duas mil pessoas marchavam de diversos pontos de Naioróbi para se reunir na praça. A polícia usou gás lacrimogênio e jatos de água para dispersar um grupo que levantava barricadas em uma das principais avenidas da cidade, enquanto iam para a praça Uhuru.

Na véspera, o governo queniano já tinha proibido a manifestação. A disputa política desencadeou violência em todo o país. Desde semana passada, estima-se que mais de 300 pessoas morreram e 100 mil saíram de suas casas.

Segundo um alerta da Red24, uma rede especialista em alertas de segurança em todo o mundo, o comício que seria realizado hoje foi transferido para terça-feira (8). Brasileiro que vive em Nairobi, Carlos Winterle, diz que a mesma informação foi repassada aos moradores da capital queniana.

Missionário da igreja luterana no país, Winterle diz que a expectativa é de que até terça haja tumulto. “A polícia está impedindo as pessoas de ir ao centro da cidade e nossa igreja fica exatamente neste Parque Uhuru, onde são as grandes concentrações. Não sei se poderemos ter culto no final de semana”, lamenta.

Ele conta que desde o dia 26 de dezembro a família está reclusa em casa. Só saiu duas vezes e de forma rápida, no dia 31 e ontem (2), para ir ao supermercado.

“Mas a situação é de um silêncio constrangedor no mercado, todos apressados, comprando alimentos para fazer estoque em casa, prevendo dias piores. Pão, frutas e verduras, à medida que são colocados no balcão, desaparecem nas mãos dos consumidores. No país vizinho, Uganda, já começa a faltar combustível, pois depende do abastecimento rodoviário do Quênia”, conta.

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