Parentes de vítimas de acidentes de trânsito pedem mudanças na legislação
Agência Brasil
Domingo, 18/11/2007 - 15:36
Brasília - Uma missa na Catedral marcou o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Trânsito. Parentes de vítimas e representantes de organizações não-governamentais homenagearam os mortos em acidentes nas ruas e reivindicaram punições mais severas para os motoristas. Só no Distrito Federal, nos primeiros oito meses deste ano, a violência no trânsito matou 297 pessoas.
O diretor do Detran do DF, Délio Cardoso, avalia que as campanhas de conscientização são importantes, mas devem vir acompanhadas de outras ações.
“As campanhas são fundamentais. E no último momento, a repressão. Nós temos agido de forma implacável na questão do combate ao álcool. Brasília tem um fenômeno que chama a atenção: só este ano, nós apreendemos as carteiras de habilitação de 600 motoristas que estavam embriagados. Então, o uso do bafômetro é um instrumento do qual o Detran não abre mão”, afirma Cardoso.
Pérsio Davison, pai do jovem Pedro, de 25 anos, atropelado e morto em agosto do ano passado quando andava de bicicleta em Brasília, acha que é necessário mudar a idéia de que acidentes de trânsito ocorrem por acaso.
“Existe crime no trânsito. As pessoas não podem praticar crimes e se esconderem no Códido de Trânsito, que interpreta que não existe crime no trânsito. Ou seja, o que nós temos que colocar com muita clareza é que crime é no Código Penal. Se a pessoa pratica um crime na direção de um veículo, ele não deve ser analisado pelo Código de Trânsito e sim pelo Código Penal”, defende Davison.
Os parentes de vítimas de acidente de trânsito comemoraram a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que esta semana decidiu enviar para júri popular o estudante Rodolfo Ladeira. Em janeiro de 2005, na ponte JK, ele bateu no carro do advogado Francisco Teixeira – que morreu na hora.
Ladeira será julgado por homicídio doloso, quando existe intenção de matar. Os ministros do STJ entenderam que, como o estudante dirigia a 165 quilômetros por hora, ele sabia dos riscos de provocar um acidente.
O presidente da ONG Rodas da Paz, Maurício Gonçalves, também comemora a decisão, mas faz um alerta: “É fundamental: educação, fiscalização, punição e a criação de espaços adequados para automóveis, para os pedestres e para os ciclistas”.
A promotora Laura Rito, do Ministério Público do Distrito Federal, concorda que a simples adoção de leis mais duras não é suficiente. Para ela, ruas e estradas ficarão mais tranqüilas se os governos criarem políticas públicas com ênfase na educação.