Ônibus urbanos de Salvador tiveram maior alta entre 2001 e 2007
Segunda-feira, 24/09/2007 - 23:40
Salvador - Avaliando a evolução dos preços dos transportes nas sete principais capitais do País, entre janeiro de 2001 e agosto de 2007, a Fundação Getulio Vargas observou que as cidades do Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo foram as que apresentaram maiores altas em suas tarifas.
No Rio de Janeiro, por exemplo, os reajustes nas tarifas de trens (150,78%) foram os mais altos do país. Os ônibus urbanos em Salvador, aumentaram 149,70%. Também no Rio de Janeiro, o transporte escolar (101,30%) e o metrô (95,29), além do táxi (90,30%) em São Paulo foram os vilões do bolso do passageiro se comparados com a inflação no período (54,92%).
A taxa acumulada do transporte ferroviário, no entanto, será ampliada no mês de setembro, quando contabilizará o aumento de 5% em vigor na cidade do Rio de Janeiro. Com este reajuste, os usuários passaram a pagar uma tarifa de R$ 2,10. Nas demais capitais, o ônibus interurbano obteve a maior alta (88,49%) em Recife. Os dados de Porto Alegre, Brasília e Belo Horizonte estão na tabela abaixo.
Os gastos com Transporte Público comprometem cerca de 6% do orçamento doméstico. Entre os meios de transporte mais populares, o ônibus urbano apresenta destaque especial, respondendo, em média, por 70% da despesa das famílias com transporte público nas cidades. Dada a sua importância, os reajustes acumulados desde 2001, responderam por 5% da inflação registrada no período.
Setps contesta dados -- Equivocados, inconseqüentes e desprovidos de consistência. Esta é a avaliação que o superintendente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Salvador (Setps), Horácio Brasil, faz do estudo divulgado pelo Estudo Brasileiro de Economia (Ibre) ligado à Fundação Getúlio Vargas. “É uma questão de aritmética: se em setembro de 2001 a tarifa era R$1 e em setembro de 2007 está em R$2,00 o aumento é de 100% e não 149.7% como foi publicado”, compara. Se for considerado de janeiro de 2001 a agosto de 2007 - como pontua o estudo – ainda assim o resultado permanece inferior. Fica em torno de 120%
Na opinião de Brasil, é possível que os pesquisadores tenham confundido Salvador com outra cidade. “Não podemos acreditar que tenha sido má-fé, não faria sentido”, observa. Independentemente da distorção dos dados, ele chama a atenção para o fato de que nos últimos dez anos houve vários períodos de congelamento tarifário, o maior deles alcançando 26 meses sem realinhamento (de 31 de agosto de 2003 a 3 de outubro de 2005).
“A pesquisa não menciona também o estudo feito pela FGV em Salvador, há pouco mais de um ano, quando a própria instituição calculou em R$2,21 o valor da tarifa”, destaca Brasil. “E ignora também que planilha da Prefeitura sinalizava R$2,26 , mas a tarifa ficou em R$2,00”, arremata.
“Não dá para levar a sério uma pesquisa que não leva em conta os custos operacionais do setor”, pontua. “Se era para destacar Salvador em alguma coisa, por que não se falou nas farras das gratuidades institucionais, que deveriam ser assumidas por órgãos e empresas públicas e são pagas pela tarifa? Por que se esqueceu das fraudes”, questiona.
Brasil chama a atenção ainda para a evolução nos custos dos insumos (combustível, peças de reposição e pneus, mão de obra,dentre outros) que ficam bem acima dos índices inflacionários. Diante das distorções contidas na pesquisa, o superintendente acredita que o Ibre venha a público fazer as devidas retificações. “Sob pena de pôr em dúvida a própria credibilidade”, adverte Brasil, que acrescenta: “Se a instituição vier a fazer uma outra pesquisa desse tipo, esperamos ser consultados para evitar constrangimentos semelhantes”.