Livro revela origem e significado de várias expressões populares
Quarta-feira, 15/08/2007 - 08:07
São Paulo - Depois do sucesso de O Pulo do Gato, publicado em 2005, a Geração Editorial lança O Pulo do Gato 2, do jornalista e escritor Márcio Cotrim, que publica uma coluna semanal no Correio Braziliense, em outros onze jornais do país e na revista Língua Portuguesa.
“O autor não é filólogo profissional”, afirma Roldão Simas Filho no prefácio do livro. “É um leitor atento, admirador de Eça de Queiroz e de Nelson Rodrigues. E é um escritor cuidadoso com as palavras. O amor às palavras é a base deste livro eclético e, por isso, saboroso, que mescla termos dicionarizados com nomes de marcas comerciais que encontramos no dia-a-dia de nossas vidas. E sempre com deliciosos comentários, ligando-os ao momento em que vivemos”, acrescenta. Como no primeiro volume, O Pulo do Gato 2 tem ilustrações bem-humoradas de Osvaldo Pavanelli.
Com o subtítulo “O berço da palavra”, título da coluna do autor na imprensa, o livro traz curiosas palavras e expressões usadas no cotidiano com informações sobre sua origem e seu significado. A expressão advogado do diabo, por exemplo, que vem da Igreja Católica, ganha 13 linhas de explicações de Márcio Cotrim (em síntese: “É quem defende uma causa ou idéia contrária ao interesse geral. É o autêntico chato, o famoso ferrinho do dentista...”
O nome dos veículos Mercedes-Benz nasceu de uma linda menina e do dono da fábrica fundada na Alemanha em 1926. Rolls-Royce: “Os dois R do logotipo aludem aos nomes de Charles Rolls e Frederick Royce, os visionários fundadores da marca, ambos fascinados pela tecnologia e pela mecânica.”
Qual a origem e o significado da palavra – tão usada ultimamente – nhenhenhém? “Conversa interminável, monótona. Vem do tupi nheem, falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os nativos, que aqui estavam já havia séculos, não entenderam patavina da estranha falação daqueles lusitanos barbudos e emplumados que desceram de barcos tão enormes, tão esquisitos. Deu-se um diálogo de verdadeiro nhenhenhém dos dois lados, ninguém se entendia, todos perplexos.”
Patati, patatá: “Vem da França a onomatopéia patatin patatá, evocadora de um tropel ou de uma corrida, derivada do radical patt, formador de vocábulos que lembram ruídos de pancadas, choques, quedas e falatórios. Esta última acepção é a mais corrente no Brasil. Designa a conversa fútil entre quem nada tem a declarar, os pobres de idéias.” E segredo de polichinelo? “A expressão designa aquilo que todos já sabem, o que deixou de ser segredo, que já é de conhecimento público apesar de alardeado como novidade. Polichinelo era personagem característico da commedia dell’arte, nome do bufão polichinelo, personagem ridículo, sem traquejo, ingênuo”, escreve Cotrim.
Qual a importância do zero? “A invenção do zero pelos sábios do Islã é considerada, por muitos matemáticos, a maior descoberta da ciência dos números, a solução definitiva para a evolução e a resolução de toda e qualquer operação aritmética.” O livro revela também sua origem.
O Pulo do Gato 2 traz dezenas de outras expressões e palavras, como arrastar a asa, bode expiatório, comer com os olhos, dar uma de João-sem-braço, deletar, enxaqueca, está na hora de a onça beber água, falar pelos cotovelos, gatos pingados, HP, isca, jipe, kamikaze, lanterna, malabarismo, não ter onde cair morto, olha o passarinho!, pensar na morte da bezerra, queixar-se ao bispo, RSVP, Santo Graal, tirar o pai da forca, viaduto do Chá, WC, xeque-mate e Zepelim. As palavras e expressões não estão no livro em ordem alfabética, mas há um índice remissivo no final.
Ex-secretário de Cultura do Governo do Distrito Federal, o carioca e cidadão honorário de Brasília Márcio Cotrim ganhou em 1996 o prêmio Carlos de Laet, da Academia Brasileira de Letras, pelo livro O Sapato Alto e a Paz Mundial e o conjunto da obra, que já possui 12 títulos publicados.