Projeto contra venda de bebidas em estradas vai ao Congresso
Segunda-feira, 30/07/2007 - 17:59
Rio de Janeiro - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou hoje (30) que o governo vai enviar em agosto projeto de lei ao Congresso proibindo a venda de bebidas alcoólicas à beira de rodovias. Segundo o ministro, nesta semana haverá uma última reunião com o presidente Lula sobre a iniciativa, e depois ela será encaminhada pelo Ministério da Justiça ao Legislativo.
“Tenho conversado com governadores e prefeitos para que tomem iniciativas semelhantes onde ainda não existam leis específicas sobre comercialização de bebidas em estradas e para chamar a atenção da importância da proibição da venda e do consumo em postos de gasolina”, disse Temporão.
Ele falou a uma platéia formada basicamente por empresários, na Associação Comercial do Rio de Janeiro, e pediu o empenho dos vários setores da sociedade na luta contra o alcoolismo: “O álcool está relacionado não só com doenças dos tipos cardiovasculares, hepáticas, câncer, mas também com um padrão de violência, como acidentes de trânsito, de trabalho e violência doméstica”.
De acordo com dados da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, citados no site do Ministério da Saúde, 61% dos motoristas envolvidos em acidentes de trânsito no Brasil haviam ingerido bebida alcoólica. Por ano, segundo as informações do site, 35 mil pessoas perdem a vida nas ruas e estradas do país. A repressão ao uso do álcool faz parte da Política Nacional sobre o Uso do Álcool (PNA),que consta em decreto expedido pelo presidente da República em maio.
No encontro com os empresários, Temporão também defendeu que as despesas com saúde sejam vistas como investimento, pois o setor tem um grande peso na economia brasileira: “O setor movimenta entre 8% e 10% do PIB [Produto Interno Bruto, a soma das riquezas produzidas] do país. São cerca de 70 mil estabelecimentos de saúde, que empregam 7,5 milhões de trabalhadores".
O ministro informou que está sendo definida, juntamente com a Presidência da República e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), uma estratégia para aliar o poder de compra do Estado a uma política industrial brasileira. “A balança setorial da saúde, que é a diferença entre o que a indústria exporta e importa, foi negativa em US$ 5 bilhões no ano passado”.