'A ditadura dos Generais' será lançado sexta em Salvador
Segunda-feira, 23/07/2007 - 21:30
Salvador - O pensador e homem público Agassiz Almeida, autor de A República das Elites, obra internacionalmente celebrada por nomes como José Saramago, lança em Salvador, na próxima sexta-feira, 27, às 19h, na livraria Siciliano do Shopping Iguatemi, sua nova obra, A Ditadura dos Generais, descrevendo o sombrio e trágico mundo em que surgiu o nazimilitarismo na América Latina.
Nascida do encontro do autor com o escritor Ernesto Sábato, em 1984, o livro, apesar de conter relatos autobiográficos, é resultado de longos anos de pesquisas, sob a visão da Sociologia Política e da História. Uma análise profunda e vasta de um contexto histórico que se desatou nas primeiras décadas do século XX e teve seu desenlace na América Latina a partir de 1964.
O autor inicia seu texto estudando o militarismo alemão do século XX, para logo depois detalhar a fenomenologia dos crimes de lesa-humanidade e chegar ao epílogo com o pungente calvário de sua prisão pelas masmorras da ditadura militar, destacando a ilha de Fernando de Noronha. Agassiz ressalta: "Somos egressos de uma geração indignada que desafiou o absurdo do militarismo e sustentou no fundo do abismo a esperança e o ideal conspurcados".
Jorge Fernando Hermida, escritor uruguaio, doutor pela Unicamp e professor visitante da Universidade de Salamanca (Espanha), destaca: "Esta obra, como todas as grandes obras, tem algo de grave e melancólico; leva-nos a sombrios cárceres e, ao mesmo tempo, ao cume das montanhas, onde gerações de intimoratos deixaram as suas liberdades e vidas". Para Wellington Pereira, doutor em Sociologia pela Universidade René Descartes-Paris V- Sorbone, afirma que "este livro traz algo de novo no sentido metodológico; o foco narrativo está dentro dos acontecimentos, e o escritor estabelece sua posição a partir dos personagens, dissecando pela fenomenologia da violência os porões do Estado militar".
A Ditadura dos Generais , de Agassiz Almeida, mostra 57 elementos que levam o leitor a identificar o nazimilitarismo latino-americano com o nazismo alemão. O imprevisto a cada página denuncia e varre os torturadores e genocidas deste período da história. É uma obra que estuda um tempo de misérias morais e dignificações humanas.