Preso empresário acusado de contrabandear quartzo para a China
Quarta-feira, 18/07/2007 - 21:11
Salvador - Uma carga de 14 toneladas de quartzo, avaliada em cerca de R$ 3 milhões, foi apreendida pela Polícia Civil, com a desarticulação, na noite de ontem (17), de uma quadrilha acusada de contrabando do minério, do Oeste da Bahia para a China. Na operação policial, realizada nos municípios de Ibotirama e Oliveira dos Brejinhos, foram presos o empresário chinês Wang-Yang Shun, de 28 anos, Ildeu Maia de Souza, de 37, Adriano Araújo, 21 anos e Atenílson Santos, de 30 anos, empregados e sócios de Shun, além do garimpeiro Fernando Antônio da Costa.
A operação contou com a participação do delegado Charles Gomes e de agentes do Serviço de Investigação da 24ª Coordenadoria Regional de Polícia (Coorpin), com sede em Bom Jesus da Lapa. O delegado esclareceu que vinha recebendo informações sobre o contrabando de pedras e minérios da área para outras regiões do país e para o exterior.
Com base em informações recentes, a polícia localizou ontem, em Ibotirama, o empresário Shun, que ocupava uma picape Toyota 2007 com 50 quilos de pedras semi-preciosas, US$ 8.700 (em notas de 100) , que ele disse ter trazido da China, provavelmente sem declarar às autoridades brasileiras, R$ 23 mil e algumas moedas chinesas. O empresário admitiu comprar o minério ilegalmente, o que foi confirmado pelo delegado Charles Antônio. “Ele adquire o quartzo de garimpeiros que atuam sem autorização para extração e venda”, afirmou.
Após a sua prisão, Shun levou os policiais até a sede de sua empresa, a Stone King, em Oliveira dos Brejinhos, onde houve a apreensão de 14 toneladas de quartzo de várias cores, também extraídos e comprados ilegalmente, já que o empresário, embora tenha registro na Junta Comercial, não dispõe de autorização (inclusive ambiental) para atuar. Ainda na sede da empresa, o coordenador da 24ª Coorpin apreendeu um rolo de cordão detonante, usado em explosões, e que só pode ser adquirido com permissão do Exército.
Os presos foram autuados em flagrante e incursos em cinco delitos: crime contra o sistema financeiro, contrabando, formação de quadrilha, crime ambiental e aquisição de explosivo de forma ilegal. Shun é também acusado de explorar a mão-de-obra barata dos garimpeiros e de estimular a devastação ambiental, já que compra o minério de pessoas que extraem o produto sem autorização.