Nova York - O aumento do interesse dos norte-americanos pelos biocombustíveis está provocando aumento no preço do leite e, por conseqüência, de seus derivados. A razão estaria na disputa pelo milho que nos Estados Unidos é usado tanto na produção do etanol quanto na alimentação do gado.
Neste mês, o preço do galão de leite (que equivale a cerca de quatro litros) aumentou de US$ 2,80 para US$ 5,00 em função do boom do combustível que a Casa Branca defende como alternativa ao petróleo: quanto mais caro o milho que termina no tanque dos automóveis, mais caro o milho que é processado como ração para o gado.
O efeito inflacionário cai sobre o queijo, a manteiga, o iogurte e, como os norte-americanos estão notando neste verão, sobre o sorvete.
Coldstone, uma empresa de sorvetes com atividade nacional, aumentou em 50 centavos de dólar o preço da casquinha pequena em relação ao último mês. "Todos nós devemos aumentar os preços", afirmou Christina Said, cuja família produz sorvetes há 28 anos com a Chinatown Cream Factory.
O preço dos laticínios aumentaram também por causa de um aumento na procura pela China e pelo Oriente Médio, além de efeitos indiretos da disputa eleitoral pela Casa Branca: os políticos de ambos os partidos estão atentos em agradar os empresários do agrobusiness, ao manter os subsídios e taxar de modo severo a importação do etanol brasileiro, produzido a partir da cana-de-açúcar e, por isso, mais barato.
No México, há alguns meses a alta procura pelo milho desencadeou o aumento no preço das tortilhas, provocando uma revolta nacional. Nos Estados Unidos, a previsão dos economistas é que o aumento também atinja em breve o hambúrguer e o hot-dog.