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:: Brasil ::
Ocupação do Alemão
Unicef alerta para prejuízo à educação infanto-juvenil
Sexta-feira, 29/06/2007 - 20:38

Rio de Janeiro - O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) repudiou hoje (29) a ocupação policial no complexo do Alemão, zona Norte do Rio de Janeiro, afirmando que a violência "ameaça as crianças e impede que meninas e meninos freqüentem escolas".

O alerta faz parte de uma nota internacional, divulgada hoje (29) pelo Unicef. O documento chama a atenção para o fato de a violência ameaçar a educação de crianças e adolescentes em áreas de conflito. Além do complexo do Alemão, o Unicef cita casos do Iraque, Afeganistão, Sri-Lanka, Nepal e Faixa de Gaza.

No Alemão, cinco escolas e duas creches da rede municipal estão fechadas desde 2 de maio, quando começou a ação da polícia. Por causa disso, os cerca de cinco mil estudantes dessas instituições têm freqüentado as aulas no Ciep Gregório Bezerra, que fica próximo ao local. Outras sete escolas e uma creche - que fecharam as portas durante a operação de quarta-feira (27) - reabriram hoje.

Representantes de dez entidades civis decidiram se reunir na próxima segunda-feira (2) com o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, para propor o fim da ocupação, que dura 57 dias.

De acordo com a diretora da Organização Não-governamental Justiça Global, Sandra Carvalho, a atual política de segurança pública colabora com um processo de criminalização de comunidades pobres.

"Não é feito nenhum trabalho de inteligência e investigação que desmantele as redes criminosas e o tráfico de drogas. É uma política calcada no confronto e na execução de pessoas".

Ela também criticou a declaração do governador Sérgio Cabral, que hoje afirmou não ser possível combater o crime sem o derramamento de sangue. "Esse tipo de fala só se faz para um determinado segmento social. Uma ação dessas jamais seria proposta em Ipanema, no Leblon ou na Barra da Tijuca".

Sérgio Cabral, que retornou ontem da Europa, considerou positiva a atuação policial no Complexo na quarta-feira, quando pelo menos 18 pessoas foram mortas. "Foi o resultado de uma ação competente. Uma operação absolutamente de planejamento, inteligência e informação".

O governador acrescentou que manterá a ação policial e que pretende intensificar a integração com o governo federal no que se refere à segurança. Mas que está disposto a ouvir a posição de organizações civis. "O que estiver errado deve ser corrigido, mas as operações continuarão. Não tem acordo".

Ontem (28), Carvalho esteve na Favela da Grota, que faz parte do Alemão. Também estiveram presentes representantes da comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio de Janeiro (OAB-RJ), da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) e de organizações civis.

Segundo ela, foram ouvidos relatos de agressão a moradores, de residências danificadas, de estabelecimentos saqueados e de furto de celulares e de dinheiro por policiais.

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