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Emília Duncan fala sobre figurino, estética e contexto histórico
Sábado, 09/06/2007 - 08:28

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Duncan: “O figurino une a arte ao ofício”.
“Figurino, é uma forma de comunicar”, afirmou Emília Duncan ao ministrar a palestra sobre o processo de composição de figurinos para minisséries e novelas.

O evento aconteceu no auditório da Faculdade de Comunicação (Facom) da UFBa, em Ondina, e integrou a programção do Intercom Nordeste. O congresso reúne, até hoje (9), estudantes, pesquisadores e profissionais da Comunicação para debater questões de mercado e da sociedade digital.

Responsável pelos figurinos da recente minissérie global “Amazônia”, Duncan tem no currículo outras grandes produções, como “Mad Maria” e a famosa “A Muralha”. Além da televisão, transitou pelo cinema, trabalhando em “Carlota Joaquina, Princesa do Brasil”, de Carla Camurati e “O Que é Isso Companheiro”, de Bruno Barreto.

Segundo a historiadora e figurinista, a construção da narrativa visual é conferida pelo figurino, junto à iluminação, maquiagem, cenografia e direção. Para comunicar algo, deve-se levar em consideração fatores como personalidade, sentimentos, história, marcas de cultura. “Figurino não é roupa. Eu não sou uma estilista. Tenho que me preocupar com a pré-concepção, a concepção e o uso que será feito das peças”, enfatiza.

Para ela, só é possível construir um figurino conhecendo os atores que interpretarão os personagens. “O figurino é composto de traje, acessórios, adereços, maquiagem, tudo adaptado ao ator e ao conceito de seu personagem. Mas depende do rosto, do corpo, do estilo. Vestibilidade, silhueta, escolha do tecido e da cor, tudo isso é comunicação sub-reptícia”, explicou.

O diretor explicita o que pretende e Duncan proporciona a realidade visual. Para isso, pesquisa em todas as fontes acessíveis: história da arte, colunas sociais, fotos de família, cartões-postais, pinturas, design, enciclopédias. “O figurino une a arte ao ofício”, disse.

Para fazer figurinos de época, é ainda preciso realizar uma procura exaustiva de referências estéticas e culturais do momento em questão, que passa pelo olhar contemporâneo e subjetivo do figurin

A figurinista ressalta a necessidade de tomar cuidado com dois registros históricos: observar o contexto no qual a obra está inserida e suas implicações sociais e culturais e criar um efeito que seja contemporâneo ao figurinista e ao espectador, com suas implicações técnicas e estéticas. A história é quem deve ficar a serviço do figurino, não o contrário. “O principal é estabelecer a comunicação entre a obra e o público”, afirma.

Duncan assume um desafio: inverter os signos comunicativos, distanciar-se dos estereótipos. Para tanto, vem experimentando linguagens diferentes nos últimos trabalhos realizados. Durante a palestra, ela apresentou making-offs das minisséries “Amazônia”, “A Muralha” e “Mad Maria”, para demonstrar suas idéias.
Após a palestra, pôs-se à disposição para perguntas, momento em que comunicólogos e estudantes participaram em peso. A inclusão de Emília Duncan no Intercom mostra como o projeto está sintonizado com as mais variadas formas de comunicação.

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