Turistas portugueses trocam Brasil pelo Caribe, alerta embaixador
Terça-feira, 05/06/2007 - 13:54
Brasília - O Brasil está perdendo turistas para países do Caribe e precisa fazer uma política mais agressiva de divulgação se quiser continuar sendo o destino preferido dos portugueses. A opinião é do embaixador de Portugal no Brasil, Francisco Seixas da Costa, nesta segunda parte da entrevista concedida na Embaixada em Brasília.
Agência Brasil: A ministra do Turismo, Marta Suplicy, esteve em Portugal e incentivou portugueses a visitarem destinos alternativos no Brasil, não apenas o Nordeste. Houve algum contato com o governo português nesse sentido? Francisco Seixas da Costa: Houve e há uma ação comum entre a Embratur e a [companhia aérea] TAP para promoção de novos destinos turísticos no Brasil, em particular no Centro-Oeste. Mas vale a pena ter uma idéia realista do que está se passando nos últimos anos. Não devemos ter noção de que há uma bola de neve crescente. Houve uma diminuição dos turistas portugueses no Nordeste no último ano, uma diminuição sensível, na casa dos 20%. Isso nos preocupa, e preocupa naturalmente as autoridades turísticas brasileiras. Pensamos que é importante haver uma promoção do Brasil mais forte em Portugal, de forma a compensar o apelo de outros destinos. O caso mais típico é a Jamaica, mas vários outros destinos do Caribe estão aparecendo como concorrentes do Brasil. (...) O Brasil não pode dormir à sombra da bananeira em matéria de promoção turística em Portugal.
ABr: Qual é o principal destino turístico dos portugueses mundialmente? Costa: É o Brasil. Quer dizer, julgo que o Brasil concorre com o resto da Europa, mas não é esse turismo que compete com o Brasil. O turismo brasileiro compete com mercados sol e praia, como Caribe e alguns no norte da África. Portanto, é importante haver uma política agressiva para garantir que os portugueses continuem a vir para o Brasil.
ABr: O senhor julga então que a Embratur deveria... Costa: A Embratur tem feito seu trabalho, e tem feito bem. Só que agora aparecem novos concorrentes e terá que haver uma nova estratégia, para tentar compensar essas tendências centrífugas que se verificam em relação a outros mercados.
ABr: A queda no Nordeste tem a ver com o assassinato dos turistas portugueses em Fortaleza (em 2001, seis corpos foram encontrados num buraco cavado dentro de um quiosque na praia)? Costa: Não. Depois disso, o turismo cresceu exponencialmente. Esse incidente não teve a menor repercussão no turismo português. Não há nenhum elemento factual que justifique a não vinda de turistas portugueses, isso tem mais a ver com o apelo de outros mercados e a diversidade da oferta.
ABr: O estigma da violência não “cola” em Portugal, não amedronta os turistas? Costa: A violência é algo que naturalmente funciona em contraciclo com a promoção do Brasil de maneira geral. Mas eu diria que, particularmente tendo em conta o tipo de turismo que se faz no Nordeste, em pequenos resorts e praias mais ou menos vigiadas, não se sente muito esse fato. Globalmente, julgo que é patente que o destino Brasil aparece por vezes marcado por uma imagem, e eu diria que até excessiva, da questão da violência. Porque nas televisões mundiais passam muitas vezes cenas de violência no Rio, quando todos nós sabemos que essa não é a realidade brasileira. O Brasil é um país pacífico, onde as pessoas normalmente não são assaltadas nas ruas e não estão sujeitas a atos de violência. Acho importante desdramatizar essa questão, e em Portugal isso tem sido feito. (...) Em geral, no ano 2006, a TAP transportou para o Brasil menos 2% de turistas do que em 2005. Mas para o Nordeste, transportou 13% ou 14% menos.