Agentes de saúde deflagram greve por tempo indeterminado
Terça-feira, 29/05/2007 - 21:44
Salvador - Os três mil agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE), além de cerca de 1.100 assistentes e auxiliares administrativos, auxiliares de serviços gerais e almoxarifados, agentes de portaria, motoristas do CCZ e PAC/PSF, técnicos em laboratório, digitadores, professores do CCZ, biólogos, médicos veterinários, coordenadores de comunicação, supervisor de campo e auxiliares de enfermagem de Salvador decidiram pela greve por tempo indeterminado, em assembléia realizada no Campo Grande.
Os trabalhadores se reunirão na próxima terça-feira (5), no Campo Grande, onde farão uma avaliação dos dias de paralisação, e seguem em Caminhada de Protesto até o Comércio, onde ficarão concentrados em frente à Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
Com a paralisação, milhares de famílias ficarão desassistidas na Grande Salvador e bairros da periferia, já que dependem dos serviços de atendimento dos agentes. O agente comunitário atende por mês uma média de 150 famílias. No caso dos agentes de combate à dengue, a média é de 25 visitas por dia. A direção do sindicato alerta também para o índice de infestação do mosquito da dengue que pode aumentar com os dias da paralisação.
O motivo da indignação dos trabalhadores é o descumprimento da Lei Federal 11.350, que grande parte dos municípios baianos teimam em desobedecer. Conforme Edvaldo Leite Santana, coordenador geral do Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde e Contendores de Doenças Endêmicas e Epidemiológicas do Estado da Bahia (Sindacs/BA), a principal reivindicação dos trabalhadores é que as prefeituras da Bahia cumpram a Lei Federal 11.350, que determina a criação de cargos da categoria pelos municípios, beneficiando cerca de 24 mil agentes. Em Salvador vai beneficiar mais de 3 mil agentes.
A categoria reivindica também reajuste salarial de um salário mínimo e meio, ou seja, o salário que é hoje de R$ 416, passaria para R$ 570; com relação aos tíquetes sairia de R$ 6, 50 para R$ 10,00. Na Bahia, a lei de criação de cargos para os agentes está aprovada em 20 municípios, mas nem todos incorporaram as vagas no quadro da prefeitura. Maragogipe, Alagoinhas, Amargosa, Muritiba, Paulo Afonso, Conceição da Feira, Itapé e Eunápolis são alguns municípios que já efetuaram algumas contratações.