Salvador - O passo inicial para a estruturação da rede de hemocentros na Bahia foi dado hoje (28), com a entrada em operação, no município de Senhor do Bonfim, de uma Unidade de Coleta e Transfusão de Sangue (UCT) com capacidade para captar 528 bolsas de sangue/dia para atender à microrregião. A inauguração integrou as comemorações pelos 122 anos de emancipação política do município, que contou com a participação do governador Jaques Wagner.
A primeira unidade de coleta de sangue do norte do estado vai atender, além de Senhor do Bonfim, aos municípios de Pindobaçu, Andorinha, Filadélfia, Itiúba, Antônio Gonçalves, Jaguarari e Campo Formoso, que atualmente contam com 350 leitos hospitalares credenciados pelo SUS. O hemocentro de Senhor do Bonfim foi construído em 2003, mas nunca entrou em operação. No final do ano passado, seus equipamentos foram removidos para outras unidades de saúde do estado.
A Sesab reequipou a unidade seguindo a estratégia de ampliação da oferta de sangue de qualidade na Bahia. Também está prevista a entrada em operação da unidade de Juazeiro, que já está pronta mas nunca funcionou, e a construção de novos bancos de sangue em Eunápolis e Feira de Santana. O projeto de ampliação e interiorização da rede de hemocentros quer ampliar a cobertura atual em 40%.
Outro dado que deve sofrer alteração é o número de doadores de sangue. Enquanto a Organização Mundial de Saúde considera que o ideal é que 3 a 5% da população seja doadora, a Bahia se mantém na faixa de 1%. “Os hemocentros são a garantia da qualidade do sangue. Sua expansão favorece, principalmente, a redução da transmissão de doenças, muito comum na transfusão braço-a-braço”, disse o secretário da Saúde, Jorge Solla.
A UCT de Senhor do Bonfim é uma parceria entre a Secretaria de Saúde (Sesab), Fundação Hemoba, Diretoria Regional de Saúde (Dires) e Secretaria Municipal de Saúde e vai funcionar no Hospital Regional do município, que tem 95% da sua demanda proveniente do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo Gaudêncio Duarte, presidente do Instituto Bonfinense de Assistência e Promoção Social, entidade mantenedora do hospital, o banco de sangue vai favorecer a realização de cirurgias de médio porte na cidade. “Temos bons cirurgiões, mas as pessoas se deslocavam para outras cidades por não terem segurança quanto ao fornecimento de sangue. Agora, elas terão mais confiança”, disse.
A vendedora Sônia Silva, 60 anos, residente na cidade, gostou da novidade. “Agora a gente vai ter certeza de que o sangue é de qualidade e testado”, disse. O policial militar Sebastião Sena, 59, tem outra expectativa. “Meu sangue é o O negativo, que é raro e eu sempre quis ser doador. Agora, vou poder fazer a doação pelo menos quatro vezes ao ano, aqui mesmo em Bonfim”, comemorou. |