Ancara - O Parlamento turco repetirá amanhã a votação para eleger o Presidente da República, depois de que a reforma constitucional que prevê a eleição direta do chefe de Estado já foi aprovada em uma comissão legislativa.
Isso significa que a discussão no recinto parlamentário sobre a reforma presidencialista acontecerá na semana que vem.
A primeira votação para a escolha direta do presidente no Parlamento que aconteceu primeiro em 27 de abril passado, mas foi anulada pela Corte Constitucional no dia 1º de maio porque não havia quórum suficiente no momento da votação.
Depois foram convocadas eleições antecipadas para o dia 22 de julho em meio a uma severa crise política.
O Parlamento, segundo informações divulgadas hoje pela presidência do corpo, foi convocado para repetir essa votação amanhã às 11h00 locais (8h00 GMT). O único candidato será o ministro de Relações Exteriores, Abdullah Gul, do partido da situação e majoritário Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP).
Assim como foi confirmado pela Corte Constitucional o número legal de quórum será 367 parlamentares.
É difícil que esse número seja atingido porque o AKP tem 352 representantes e a oposição assegurou que, assim como na votação de 27 de abril, irá se ausentar do recinto.
Por sua vez, a comissão do Parlamento aprovou a reforma constitucional que prevê a eleição direta do chefe de Estado, anunciou a agência Andalu.
O foto favorável na comissão deverá ser confirmado pelo Parlamento, em sessão plenária.
Os observadores consideram que a reforma será aprovada com o voto favorável dos deputados do AKP e pelos 20 parlamentares do Partido Anavatan.
Gul declarou que inclusive quando o Parlamento aprovar a reforma constitucional o único candidato será ele e assegurou que será eleito "com 70% dos votos".
A intenção do primeiro-ministro, Tayyip Erdogan, do AKP, de impor Gul como presidente foi o que desatou a crise política que saiu às ruas da Turquia, porque a oposição teme que se "islamize" o país.