Salvador - "Vou me esforçar para aprender o máximo, esse é o meu objetivo de estar aqui hoje". O depoimento de Patrícia Teixeira, de 20 anos, moradora do bairro de São Caetano, resume o sentimento de cada um dos presentes para a primeira aula do Consórcio Social da Juventude no Centro de Convenções. Ela está entre os selecionados para participar da quarta edição do programa do Ministério do Trabalho e Emprego que financia ONGs comprometidas com a qualificação profissional de jovens em situação de risco social.
"Este ano, vão ser oferecidas oficinas nas áreas de administração, alimentação, vestuário, turismo, gráfica, metalurgia, construção e reparos, paisagismo e jardinagem, além de aulas de eqüidade e inclusão digital", informa Maria Thereza Marcílio, coordenadora da ONG Avante, gestora do Consórcio na Bahia. Para dar os cursos em 2007, foram selecionadas 17 organizações não-governamentais.
A aula inaugural teve apresentações musicais de grupos formados nas ONGs que vão oferecer as oficinas e a participação de autoridades baianas. O secretário estadual do trabalho, emprego, renda e esportes, Nilton Vasconcelos, destacou que a taxa de desemprego entre os jovens na Bahia é 70% maior que a das demais faixas etárias. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 210 mil pessoas com idade entre 16 e 24 anos estão desocupadas na Região Metropolitana de Salvador.
Foi buscando fugir das estatísticas que Nilton Gonçalves, de 17 anos, se inscreveu no Consórcio. Ele concluiu o ensino médio em 2006 e agora quer aprender uma profissão para entrar no mercado de trabalho e realizar um sonho. "Vou arranjar um emprego para poder pagar um curso pré-vestibular e conseguir entrar na faculdade de jornalismo", acredita.
Ao final dos cinco meses de aula, pelo menos um terço dos 1.500 jovens participantes do programa vão ser empregados, com base no perfil e no interesse demonstrado por cada um. Maiana Lima, de 19 anos, integrante da terceira edição do consórcio, foi uma das selecionadas. Ela participou da oficina de educação ambiental e ecoturismo e hoje trabalha como recepcionista em uma empresa. Para Maiana, a oportunidade proporcionou também outras mudanças: "Descobri em mim habilidades de liderança, de falar em público e uma vontade de desenvolver projetos sociais no futuro".
Desde a primeira edição, o consórcio já capacitou 3.800 jovens e inseriu 1.200 no mercado de trabalho. |