Salazar é considerado o maior destaque da história portuguesa
Agência Ansa
Domingo, 01/04/2007 - 23:10
Lisboa - Antonio de Oliveira Salazar, fundador do fascismo corporativista que governou Portugal durante 48 anos do século passado, foi escolhido pelos telespectadores da estatal Rádio Televisão Portuguesa (RTP) como a figura de maior destaque da história portuguesa, que teve início em 1139, quando Don Afonso Henriques fundou o país.
Entre os dez finalistas do programa, e depois de Salazar que obteve 41% dos votos, está o desaparecido líder comunista Álvaro Cunhal, em segundo lugar com 19% dos votos, seguido do navegador Vasco da Gama, dos reis João II e Afonso Henriques, os escritores Luiz de Camões e Fernando Pessoa e o regente Marques de Pombal, Sebastião José Carvalho de Melo.
Salazar (1889-1970) governou Portugal entre 1932 e 1968, ano em que sofreu um derrame cerebral e entregou o poder a seu protegido, Marcello Caetano, derrubado pelos capitães da "Revolução dos Cravos", do dia 25 de abril de 1974.
Entretanto, apesar de ser então um professor da Universidade de Coimbra convidado como ministro pela ditadura militar imposta em 1926, Salazar foi considerado sempre um "homem forte" do regime, o que lhe permitiu em 1930 criar a União Nacional, inspirada nas idéias do italiano Benito Mussolini, "Il Duce" ("O Condutor", em português), em 1932 assumir o poder absoluto da nação, e depois criar uma nova Constituição, fundar a Polícia Internacional e de Defesa do Estado (Pide), proibir a oposição e fundar "O Estado Novo" corporativista.
No âmbito internacional, caracterizou seu regime com a consigna "Portugal, orgulhosamente só", diante da condenação unânime do mundo de sua persistência em manter a todo custo um arcaico império colonial, que incluía as colônias africanas de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Santo Tomé e Príncipe, as asiáticas de Goa, Diu e Damão (na Índia), Macao (China) e Timor Leste (Arquipélago de Java).
Nesse campo, a primeira grande derrota de Salazar ocorreu na Índia, quando o então primeiro-ministro Jawaharlal Nehru enviou um milhão de soldados para recuperar os territórios considerados portugueses desde a chegada de Vasco da Gama em Goa, em 1498.
Os três mil portugueses das guarnições militares receberam de Lisboa uma ordem de Salazar: "De volta a Portugal, apenas soldados vitoriosos ou mortos".
Entretanto, a ordem foi ignorada pelo governador do Estado Português da Índia, general Manuel Antonio Vassalo e Silva, que entregou sua espada ao general indiano, o que marcou a primeira grande derrota de Salazar e deu um sinal para o início da guerra colonial na África em 1961, que apenas terminou com paz assinada pelos capitães de esquerda que derrubaram Caetano em 1974.