Maringá - (Da Agência Meios, especial para a Ansa) - Um grupo de 11 dirigentes de empresas alemãs, trazido pela Weco Consult, de Hamburgo, iniciou nesta semana uma série de visitas às usinas de álcool e açúcar nos municípios de Maringá, Tapejara, Paraíso do Norte e São Pedro Ivaí, todos na região noroeste do Paraná. Os empresários estão interessados em negociar parcerias público-privadas na área de biocombustíveis, especialmente com a Cooperativa Agroindustrial de Rolândia (Corol) e empresas do setor sucroalcooleiro.
Ontem eles visitaram a Corol, hoje e amanhã irão conhecer os terminais de embarque do Porto de Paranaguá. Este ano, o Paraná, segundo produtor brasileiro de álcool, exportará 400 milhões de litros de álcool, anunciou à comitiva alemã o presidente da Associação dos Produtores de Álcool do Paraná (Alcoopar), Anísio Tormena, em reunião na sede da entidade.
Antes do encontro na Alcoopar, os alemães se reuniram na Prefeitura Municipal de Maringá e ouviram do prefeito Sílvio Barros (sem partido), uma saudação em alemão e, em seguida, explicações em inglês a respeito das perspectivas dos biocombustíveis na região.
Produção - As usinas paranaenses moerão, nesta safra, 31,9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, colhidas numa área de 500 mil hectares. A comitiva ouviu de Dagoberto Pinto, presidente da CPA Trading, formada por 11 empresas do setor, que as obras do alcoolduto que ligará o noroeste paranaense ao Porto de Paranaguá, um projeto do empresariado paranaense, foram avaliadas em US$ 200 milhões.
O interesse dos alemães começou pela alardeada transformação das terras agrícolas deste estado numa monocultura. Contudo, foram tranqüilizados pelo presidente da Alcoopar. Tormenta negou que a situação caminhará para esse rumo.
"Não vamos entrar nas áreas de soja, milho e trigo; a cana-de-açúcar está presente, especialmente na região do Arenito Caiuá (formada por solos pobres ou abaixo das exigências agronômicas para lavouras de grãos) e, nas regiões Oeste, Sudoeste e nos Campos Gerais ela nunca entrou e nunca entrará", prometeu o dirigente.
Os alemães não conseguiram entender como os biocombustíveis se sustentarão, até 2012, especialmente o etanol, se não houver um aumento significativo na área cultivada. Na safra atual, as destilarias vão obter 1,7 bilhão de litros. "Com melhor produtividade", respondeu Tormena.
A essa altura, o presidente da Alcoopar revelou-lhes que, inevitavelmente, a cana irá ocupar o território da pecuária, por causa do surgimento do Programa de Biocombustíveis. As pastagens representam, hoje, 41,90% dos 15,9 milhões de hectares de área agricultável do Paraná, enquanto a cana ocupa apenas 2,10%. "Mesmo aumentando, não passaremos de 6%", previu Tormena.
Ele explicou aos empresários que oito cooperativas e grupos privados vêm arrendando terras de terceiros para ampliar as lavouras. O mapa da Alcoopar mostra 20 novos projetos. A Alcoopar, o Siapar e o Sialpar, associação e sindicatos dos produtores de açúcar e álcool, respectivamente, mostrou à comitiva números expressivos, entre os quais: A moagem de cana-de-açúcar cresceu de 3 milhões de toneladas, entre 1979/1980 para 10,5 milhões de toneladas em 1985; para 29 milhões de toneladas, no período 2004/2005; e 24,8 milhões de toneladas, entre 2005 e 2006. O açúcar obteve, em 2005/2006, 1,5 milhão de toneladas e deve render 2,1 milhão de toneladas em 2007.O setor sucroalcooleiro atua hoje em 130 municípios das regiões Norte, Norte Pioneiro e Noroeste do Paraná.
Os empresários
São estes os principais integrantes da comitiva alemã em visita à região de Maringá, assistidos pela Associação dos Produtores de Álcool do Paraná (Alcoopar) e Terra Roxa Desenvolvimento do Norte do Paraná, sediada em Rolândia. Alfons Oberholz, representante da Raiffeisen-Luedinghausen, cooperativa com 620 associados e cerca de 26 milhões de euros de movimentação financeira, assim distribuídos: 60% na agricultura; 20% no comércio; 20% nos postos de combustíveis e logística. A empresa processa cerca de 60 mil toneladas de trigo por ano e planeja a utilização do álcool bruto da cana-de-açúcar para a fabricação do bioetanol, de procedência internacional.
Andreas Villar, da Associação Alemã de Cooperações Técnicas (Deutsche Gesenllschaft für Technische Zusammenarbeit ¿ GTZ). Atua há 30 anos mundialmente em cooperações internacionais voltadas para o desenvolvimento sustentável. Entre os seus clientes estão o Governo Alemão, o Banco Mundial e a Organização das Nações Unidas. Desde 1999, a GTZ apóia compromissos a longo prazo de empresas privadas situadas em países em desenvolvimento e de economias em transição, por meio de parcerias público-privadas.
Bruno Scchulwitz, da Marquard & Bahls AG (M & B), empresa que atua há mais de 60 anos no ramo petrolífero. A subsidiária Mabanaff é líder no mercado de petróleo no Noroeste da Europa. A subsidiária Oitanking, com mais de 250 postos de combustíveis, é a segunda maior rede de postos de combustíveis do mundo.
As empresas do grupo M & B são líderes na introdução de energias biológicas na Alemanha. Fontes energéticas: Etanol E5 e Etanol E85, diesel biológico e energia de óleo vegetal.
Gerhard Ammon, há 12 anos trabalhando na consultoria técnica e econômica para o ramo ambiental no Chile, México e Cuba. Especialista em resíduos, detritos tóxicos e depósitos.
Norbert Menge, da Raiffeisen Warengenossenschaft (Cooperativa de Gêneros Agrícolas Drensteinfurt-Mersch EG), no sul de Münsterland. Engorda porcos e tem plantel bovino. Trigo, milho, cevada e colza são o foco de suas lavouras, em propriedades com tamanho médio de 75 hectares. A empresa vende bens de consumo agrícola.
Reinhard Gilhaus, da Cooperativa Raiffeisen-Genossenschaft, de gêneros agrícolas. Comercializa rações, adubos, sementes, herbicidas, e gêneros brutos: trigo, soja processada e colza.
Reinaldo Udewald e Arnd Helmke, da Consultoria Weco GmbH assessora e faz projetos para alemães na América Latina, entre os quais, a internacionalização de pequenas e médias empresas. Udewald e Helmke têm 16 anos de contatos com instituições e empresas dos dois lados do Oceano Atlântico. |