Salvador - Passados três anos da ocupação do MSTS no prédio da antiga fábrica Tóster, localizada no bairro do Bonfim, integrantes do movimento ainda reclamam das condições subumanas em que vivem e da demora do município em apontar uma saída para o problema. “Desde que nos instalamos aqui, nada mudou. Convivemos com fios desencapados e muita sujeira, que traz doenças para nossas crianças”, desabafou Leonardo, morador do local.
| | O prédio da antiga Tóster abriga 130 famílias | Com 130 famílias em suas dependências, os sem teto foram vítimas de pressão de diversas associações de moradores de bairros situados na Península Itapagipana, chegando até mesmo a sofrer ameaças: "Eles, (os integrantes das entidades) diziam em suas reuniões que nós éramos responsáveis pelos assaltos, atos de vandalismo e outros crimes que aconteciam na área", dispara Silvana França, coordenadora do movimento.
Com a convivência, entretanto, os moradores do Bonfim já se acostumaram com a vizinhança. “Antes de o MSTS ocupar o local, a Fábrica era ponto de tráfico e fuga de ladrões. Hoje em dia isso já não ocorre mais”, diz Paulo Rodrigues, morador do Bonfim.
Outra reclamação da coordenadora do MSTS é que o município só age com rapidez em casos em que há o interesse direto do Executivo nos prédios ocupados pelos sem-teto. "É tanto que a prefeitura já está agilizando soluções para as 50 famílias que estão no prédio da Barreto de Araújo (na Cidade Baixa) e para as 85 que vivem no Clube Português (orla da Pituba). No nosso caso, eles só mandam a gente esperar e esperar, dizendo que sairia muito caro adaptar o imóvel para nós".
Segundo a assistente da secretária Municipal de Habitação, Francilene Martins, a Prefeitura não dispõe de recursos financeiros para viabilizar o projeto de adaptação dos imóveis dos sem-teto, pois os custos seriam muito altos. Isto faz com que a solução para as famílias que ocupam a antiga Tóster não ocorra em curto prazo. "Nós já cadastramos em torno de 1.500 famílias de sem-teto, inclusive as que moram no prédio da antiga Tóster, para que elas sejam contempladas gradativamente", garantiu.
De acordo com a assistente, como a maioria dos sem-teto não tem renda para participar de financiamentos de projetos de habitação, como o Programa de Arrendamentos Residencial (PAR), o jeito é tentar convênios com o Ministério das Cidades, através de iniciativas como o Crédito Solidário. "Já estamos viabilizando cerca de mil unidades habitacionais em três áreas de Salvador, por meio de parcerias com associações de bairros, que receberiam os créditos oriundos do programa. Mas isso não acontece de um dia para o outro, é preciso aguardar", disse.
Segundo o movimento, somente cadastradas no MSTS existem mais de 21 mil famílias, sendo que o déficit habitacional de Salvador é de cerca de 150 mil moradias. Das 21 mil, 3.643 delas estão ocupando prédios, terrenos e imóveis em geral, na capital. Entre os imóveis ocupados estão os prédios da Tóster, Barreto de Araújo, Ipac, Alfred, Rajada, Saionara, Matelba, Cantagalo, Galpão da RFFSA, Gelo Pioneiro e Clube Português, além de terrenos na Estrada Velha do Aeroporto, Metrô I, Metrô II, Pirajá, entre outros. |