Brasília - A entrevista coletiva de Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush hoje (9), em São Paulo, transcorreu na maior cordialidade e descontração. Mas o presidente brasileiro, em determinado momento, pediu licença ao norte-americano para dizer que dar dinheiro não é a melhor maneira de ajudar os países pobres.
“Não precisamos ficar discutindo ajuda, mas projetos que signifiquem desenvolvimento, porque nem sempre o dinheiro da ajuda reflete alguma coisa”, disse Lula, referindo-se a nações pobres da América do Sul, Central e Caribe. Segundo ele, é difícil controlar se a verba é aplicada conforme combinado.
O presidente disse que, em contrapartida, um programa de produção de biocombustível, como os dois países negociam atualmente, pode ser de fato benéfico. Ao invés de receber dinheiro, os países pobres podem sediar a produção e depois vender o combustível, explicou Lula.
Antes de iniciar seu giro pela América Latina, Bush anunciou um pacote de ajuda para a região, para ser aplicado em áreas como educação e moradia. Posteriormente, o governo norte-americano negou que tenha a intenção de competir com a Venezuela, que vem implantando uma série de ações em países como Argentina e Bolívia, por exemplo.
“Não é uma competição”, disse o secretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon, segundo a agência de notícias argentina Telam.
Na entrevista de hoje, Bush também evitou atritos com Chávez. Questionado sobre a postura do presidente venezuelano, que criticou sua presença na América Latina, o norte-americano deu uma longa resposta sobre a “generosidade não reconhecida” dos Estados Unidos sem sequer citar a palavra “Chávez”. Disse que sua viagem tem a intenção de mostrar aos norte-americanos que a América do Sul é um bom lugar para se investir, entre outras coisas. |