Salvador - Em 2007, Salvador ganhará projeção internacional por abrigar a maior exposição fotográfica a céu aberto do mundo, com 1.501 painéis do fotógrafo Sérgio Guerra espalhados por ruas, avenidas, monumentos e praças da cidade. Trata-se do projeto Salvador Negroamor, que será lançado, no dia 8 de janeiro, no Museu de Arte Moderna da Bahia - MAM-BA, no Solar do Unhão. O objetivo é iniciar um grande movimento de valorização da identidade afro-descendente em Salvador, com desdobramentos sociais, culturais e econômicos positivos.
O projeto une arte, cultura e cidadania, através de diversas atividades interligadas, como a exposição, um CD de músicas, um livro de fotografias e um Portal na Internet, da ONG Salvador Negroamor. A idéia surgiu depois do sucesso da mostra Lá e Cá, que, há um ano, transformou a Feira de São Joaquim em uma verdadeira galeria a céu aberto com uma mostra de mais de 400 fotos feitas no local e no Mercado de São Paulo, em Luanda. Desta forma, Guerra resolveu dar continuidade às ações que revelam os laços culturais entre Brasil e Angola, onde também é responsável, desde 1997, pelo programa de comunicação do governo.
O trabalho teve início, em abril, com cerca de 200 reuniões com sindicatos de classe e patronais, entidades do movimento negro, empresas, órgãos do governo, polícia militar, associação de moradores, entre outros segmentos da sociedade civil organizada, em busca de diálogo e mobilização. Durante 2006, Guerra visitou ainda vários bairros populares, onde registrou em imagens fotográficas toda a rica identidade da cidade. O resultado foi um acervo de mais de 16 mil fotos de pessoas anônimas, além de lideranças religiosas e mestres da cultura popular. "Com meu trabalho quero dar protagonismo a essas pessoas que a sociedade não quer enxergar", diz o fotógrafo.
Já a curadoria ficou por conta do artista plástico e presidente do Cortejo Afro, Alberto Pitta, que durante dois meses selecionou imagens que tivessem a ver com cada área dentro dos seis eixos estabelecidos pelo projeto, contemplando do subúrbio à orla marítima. Os eixos foram divididos em Turístico, Praias, Bairros e Espaços Populares, Grandes Avenidas, Subúrbio e Lá e Cá, em referência à exposição do verão passado na Feira de São Joaquim. De acordo com Pitta, a idéia é estimular o senso estético e proporcionar o deleite às pessoas que não têm a oportunidade de ir a galerias de arte.
"Para os bairros nobres, escolhemos fotos de moradores de áreas populares em suas janelas, passando a mensagem de que a felicidade está em qualquer lugar, tanto nas mansões como em casas simples da periferia", explica o curador. Já as estações de transbordo serão ilustradas com imagens de crianças, a fim de dar mais suavidade e conforto ao vaivém diário dos moradores do subúrbio. Outro trecho ressaltado por Pitta são os bambuzais do aeroporto, que retratam todo o sincretismo religioso da maior capital negra fora da África, através, principalmente, de fotos relacionadas ao candomblé.
Ao todo, serão mais de 9.073 m² de arte em painéis distribuídos pela cidade até o dia 16 de fevereiro. Os suportes e formatos serão variados, abrangendo desde outdoor, frontlight e backlight até muros, praças, fachadas de shoppings e casas. Realizado pela Maianga Produções Culturais, o projeto conta com o patrocínio da Petrobras, pela Lei Rouanet, e apoio da Prefeitura de Salvador, Governo da Bahia, Rede Bahia, Coelba, Shopping Iguatemi, Shopping Barra, Lojas Insinuante, Wal Mart/Bompreço, Concessionária Litoral Norte (CLN) e Uranus2. |