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Meirelles
Baixar taxa de juros artificialmente gera expectativa de inflação
Quarta-feira, 20/12/2006 - 14:09

Brasília - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou hoje (20), em audiência pública na Câmara dos Deputados, que baixar a taxa básica de juros (Selic) “artificialmente” gera expectativa de inflação. Ele defendeu o controle da inflação feito pelo banco por meio das decisões do Comitê de Política Monetária (Copom).

“Acho que a ousadia tem que se dar com controle da inflação. Experiências de diversos países em que os Bancos Centrais têm tentado baixar a taxa de juros artificialmente têm levado a um aumento da expectativa de inflação, e um aumento da taxa de juros real no mercado”, afirmou Meirelles.

Ele acrescentou que medidas “intervencionistas” não funcionam. “Já houve iniciativas no passado de tentativa de tabelamento, de controle por parte do governo, todas fracassadas. Acompanhamos isso não só no Brasil, mas em diversos países. Portanto, medidas autoritárias, intervencionistas, normalmente, não funcionam”, disse.

Meirelles enfatizou ressaltou que a contribuição que o Banco Central pode dar para estimular o crescimento do país é manter a estabilidade de preços. “Isso significa manter a inflação dentro das metas do Conselho Monetário Nacional e ter uma administração da política cambial que assegure o bom funcionamento do mercado de câmbio, com equilíbrio do balanço de pagamentos”.

Durante a audiência, Meirelles defendeu a atual política de câmbio flutuante, sistema em que as operações de compra e venda de moedas funcionam sem controle sistemático do governo.


Segundo ele, experiências de controle do câmbio de outros países não foram de “sucesso”, com exceção da China. “A China tem 47% do PIB [Produto Interno Bruto] em poupança. Portanto, tem um volume enorme de recursos disponíveis, que não é o caso do Brasil. Eles têm também outras condições. Lá a Previdência Social é muito menor que a do Brasil, os direitos trabalhistas são outros. É uma outra estrutura econômica. É um outro modelo, um modelo concentrador”, argumentou.

O presidente do Banco Central disse que a tendência é de maior crescimento da economia, na medida em que a estabilidade econômica permite um aumento “paulatino” dos investimentos. “Evidentemente, o crescimento do Brasil hoje não é o que desejamos, mas é bem superior ao que se alcançou nas últimas décadas”, acrescentou.

Meirelles disse ainda que a instituição está aberta a discutir com o Congresso qualquer proposta de reforma do Banco Central. “Não cabe ao BC opinar sobre sua própria independência. Mas há experiências, de vários países, de bancos centrais autônomos que tiveram sucesso, com taxas de juros mais baixas e taxas de crescimento mais positivas”, afirmou.

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