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Cultura
Palacete histórico pronto para receber o Museu Rodin Bahia
Segunda-feira, 18/12/2006 - 10:54

Salvador - A Villa Catharino, palacete do tradicional bairro da Graça que foi inteiramente restaurado e transformado em um complexo cultural de ponta, será entregue ao público amanhã, dia 19 de dezembro, às 18h30, inteiramente devolvida ao seu antigo esplendor. A edificação irá abrigar o Museu Rodin Bahia, cujo acervo será composto por uma coleção de obras originais do revolucionário escultor francês Auguste Rodin (1840-1917).

Durante o evento, será inaugurado o Pavilhão Anexo Contemporâneo, destinado a exposições temporárias, com a apresentação da mostra Cosmogonia Cravo, que trará obras do escultor baiano Mário Cravo. Além disso, haverá a abertura de uma exposição e lançamento de um livro, ambos intitulados: “Um Palacete Bahiano e Sua História: Da Villa Catharino ao Museu Rodin Bahia”.

Até o dia 17 de janeiro de 2007, a entrada será gratuita, das 9h às 17h. Depois desse período serão praticados preços compatíveis com os dos outros museus da cidade. O público poderá apreciar a reforma e a história do casarão em estilo Eclético, construído em 1912, próximo ao Corredor da Vitória.

Nos jardins já poderão ser vistas quatro importantes esculturas em bronze do escultor Auguste Rodin, adquiridas pelo Governo da Bahia. São elas: Jean de Fiennes (um dos componentes do famoso monumento Os Burgueses de Calais); Torso da Sombra (Torse de l’Ombre); A Mártir (La Martyre) e O Homem que anda sobre a Coluna (l’Homme qui marche à la Colomne).

A mansão é uma das mais belas edificações tombadas pelo Patrimônio Histórico de Salvador. O Museu Rodin Bahia será inaugurado brevemente, aguarda apenas a chegada de um acervo composto por 62 gessos originais cedidos em comodato através de acordo firmado entre o Governo Francês e o Estado da Bahia. Esta é uma cooperação inédita, de cunho exclusivamente cultural. Entre as diversas obras participantes desse conjunto, todas elas peças numeradas e pertencentes ao patrimônio do governo francês, fazem parte “O Beijo”, “A Danaide”, “O Pensador” e uma das versões da “Porta do Inferno”.

No conjunto formado por essa coleção e pelos bronzes estarão representadas as principais características da obra do escultor francês, as respostas e soluções estéticas de um artista cujo gênio produziu uma das obras mais orgânicas, instigantes e titânicas na linha do tempo universal. Sua obra pode ser considerada como uma das grandes matrizes da arte moderna.

Com a missão de fornecer acesso inclusivo, informação e formação artística a um público cada vez mais amplo e representativo, o Museu Rodin Bahia irá possibilitar o acesso democrático da população a um conjunto de obras que até aqui só poderiam ser apreciadas por quem tinha possibilidade de viajar ao exterior.


Cosmogonia Cravo

Primeiro de uma série de artistas que irão participar das exposições temporárias do espaço contemporâneo do Museu Rodin Bahia, Mário Cravo é um dos maiores expoentes da arte baiana. A Cosmogonia Cravo foi organizada em quatro blocos ou movimentos: Origens e Individuação, Dinâmicas e Desdobramentos, Caminhos e O Engenho. A exposição percorre o paralelo existente entre as grandes cosmogonias, relatos mitológicos e religiosos das origens, e a criação da obra do artista, vista como a gênesis de um universo.

De acordo com Mario Cravo, o Museu Rodin Bahia representa um ato de grande coragem e visão cultural. “Este museu encontra-se prestes a demarcar uma nova fase da atividade criadora na Escultura e nas Artes Visuais em particular, assim como na cultura baiana e brasileira como um todo”.

Livro

Será lançando na terça-feira, pelo selo Rodin Bahia, o livro “Um Palacete Bahiano e sua História - Da Villa Catharino a Museu Rodin Bahia”. A obra contém textos de oito autores que tratam de temas relativos à arquitetura Eclética, desenvolvimento urbano da Salvador do início do séc. XX, ao processo de restauro do palacete, o projeto de intervenção arquitetônica, educação artística, um ensaio biográfico sobre o Comendador Bernardo Martins Catharino e um capítulo a respeito do Museu Rodin Bahia propriamente dito. Entre os autores estão Pedro Moacir Maia, Paulo Ormindo David de Azevedo, Maria do Carmo Baltar Esnaty, Katia Fraga Jordan, Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci, Francisco Senna e Adriana Castro.

A Villa Catharino

O local escolhido para abrigar o Museu Rodin Bahia foi a Villa Catharino, uma magnífica residência particular do início do século XX (1912), projeto de Rossi Baptista, arquiteto italiano que se radicou na cidade do Salvador. O prédio, tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Estado da Bahia - IPAC, foi selecionado por um conjunto de características favoráveis, sendo uma delas o fato de guardar uma relativa semelhança com o Hotel Biron, local onde está instalado o Museu Rodin Paris (edificação do século XVII). O estilo Eclético do casarão baiano guarda fortes referências arquitetônicas francesas, muito embora apresente a mistura de características, típica do estilo Eclético.

Intervenção Arquitetônica

O projeto arquitetônico para a adaptação do palacete às suas novas funções como museu foi encomendado ao renomado escritório Brasil Arquitetura, dos arquitetos Marcelo Ferraz e Francisco Fannucci, discípulos da renomada arquiteta brasileira Lina Bo Bardi. O projeto recebeu prêmios nacionais e internacionais: 1° lugar da 5ª Bienal de Arquitetura de Brasília, 1° lugar da Bienal Internacional de Arquitetura de Quito (Equador), na categoria de Intervenção e Patrimônio Edificado e 2° lugar no Prêmio Íbero-Americano de Arquitetura na Argentina.

A criação do pavilhão contemporâneo necessitou de maior cuidado, para que fosse plenamente integrado ao edifício antigo de modo a permitir um fluxo estético natural e também uma funcionalidade plena. A construção em concreto armado, vidro e madeira, sublinha a exuberância ornamental do casarão, como um contraponto elegante, austero e sutil. A ligação entre os edifícios se dá através de uma passarela que alcança o prédio antigo e permite o acesso ao seu interior. O partido museográfico, de autoria de Gerardo Villaseca, privilegiou três elementos: segurança, informação e silêncio.

Museu Rodin Bahia

Tudo começou após a seqüência de grandes exposições de Rodin que vieram ao Brasil a partir de 1995, com imenso sucesso de público e grande repercussão. A princípio, Salvador não constava do itinerário previsto. O artista plástico e curador baiano, criador e atual diretor do Museu Afro-Brasileiro-SP, Emanoel Araújo, convidou o então diretor do museu Rodin Paris e conservador geral de patrimônio, Jacques Villain, para conhecer sua terra natal, a Bahia.

Villain apaixonou-se por Salvador e, impressionado pela vitalidade da diversidade cultural da cidade, e pela constatação da existência de um imenso público cuja sensibilidade ansiava por arte de grande qualidade, considerou que Salvador seria o lugar ideal para sediar o Museu Rodin no Brasil. Sugeriu, então, a Emanoel que este propusesse ao governo da Bahia um projeto de implantação.

Em 2002 foi firmado o acordo entre o Ministério da Cultura e Comunicação da França e o governo do Estado da Bahia para a implantação do Museu Rodin Bahia. O projeto foi refinado, sempre pensado e elaborado a partir das especificidades da Bahia, bem como cuidadosamente planejado para atender às necessidades de segurança e cuidados com um acervo de tal importância e valor cultural. O resultado traduz-se em um museu moderno e plenamente equipamento para atender às necessidades culturais da população.

O museu destina-se a promover a divulgação, o conhecimento, a compreensão e a apreciação da obra do renomado artista Auguste Rodin a partir de sua situação histórica e em sua dimensão universal e atemporal, mas, sobretudo, ressignificada à luz de sua interação e diálogo transversal com as matrizes estéticas brasileiras e seu percurso na linha do tempo, desde o período arcaico até a contemporaneidade, de modo a estimular as suas projeções para o futuro. Esse será o eixo a partir do qual a instituição atuará no incentivo ao desenvolvimento das artes no Estado - notadamente a escultura.

Projetos pedagógicos
Os projetos pedagógicos constituirão uma das principais prioridades de ação do Museu Rodin Bahia. Dar aos jovens amplo acesso a uma educação artística de cunho holístico e prazeroso será uma prioridade. Serão oferecidos cursos, palestras, proposições de jogos educativos e visitas guiadas, assim como atividades que serão levadas às escolas da rede pública e privada como forma de preparação prévia para a visita dos alunos. O site do museu - www.rodinbahia.com.br - será outra poderosa ferramenta educacional e de intercâmbio entre a instituição e seu público.

Além disso, o museu promoverá programas de intercâmbio, residências para artistas, cursos de especialização para artistas plásticos, bolsas, identificação e acompanhamento de talentos, entre outras ações para o fomento das artes no Estado. A Associação Baiana de Cultura e Arte também já firmou com a UFBA um convênio “guarda-chuva”, que possibilitará o trabalho em conjunto com algumas das faculdades da Instituição para o desenvolvimento de projetos pedagógicos, de pesquisas, além de seminários.

Responsabilidade social

A responsabilidade social também terá destaque. O projeto "Ornamentação" será um capacitador sócio-cultural em vários módulos, visando à socialização de jovens e seu desenvolvimento como cidadãos conscientes de suas escolhas, de seus direitos e capacidades, através de um instrumental que lhes permita qualificação profissional digna e criativa. Projetos para públicos especiais serão contemplados: é aguardado o recebimento de uma coleção de peças manuseáveis para os deficientes visuais, entre outros estímulos sonoros e verbais que serão fornecidos.

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