Yokohama, Japão - Yokohama, Japão - O Internacional venceu o Barcelona por 1 a 0 e conquistou o título inédito do Mundial de Clubes. Em um contra-ataque fulminante, o Inter marcou o gol da vitória aos 36m antes do segundo tempo. Iarley arrancou na velocidade e rolou para Adriano. Livre de marcação, ele tocou na saída de Valdés e entrou para a história.
O Internacional se iguala ao arqui-rival Grêmio, que conquistou o mundial em 1983. A equipe colorada também repete o feito de Flamengo e Corinthians, donos de uma conquista cada um.
O capitão Fernandão levanta o caneco do título inédito conquistado com garra
A vitória dramática foi merecida. O Inter foi bravo, inteligente e heróico. Segurou o Barcelona e marcou todas as suas jogadas. Soube explorar as deficiências de marcação do adversário e matou o jogo com uma bela jogada de Iarley, que Adriano soube completar com categoria.
O Jogo - Sem Hidalgo, machucado, o técnico Abel Braga escalou Rubens Cardoso na lateral-esquerda. Nas demais posições, o time colorado teve a mesma formação que havia derrotado o Al-Ahly na final com Clemer no gol, Ceará e Rubens Cardoso nas laterais, Índio e Fabiano Eller na zaga e Wellington Monteiro e Edinho à frente da defesa. Na articulação do meio-campo, estavam Fernandão e Alex, enquanto Alexandre Pato e Iarley foram os atacantes.
O Barcelona, por sua vez, foi o mesmo que bateu o América. A equipe foi a campo então com Valdes no gol, o italiano Zambrotta e o holandês Van Bronckhorst nas laterais e o mexicano Márquez e o espanhol Puyol na defesa. O volante foi Motta com a ajuda na marcação dos meias Iniesta e Deco. Na frente, o francês Giuly, o islandês Gudjohnsen e o brasileiro Ronaldinho.
Antes do jogo, o cerimonial da Fifa foi igual ao que ocorre nas Copas do Mundo com direito a times entrando em campo juntos, jogadores perfilados lado a lado, troca de cumprimentos e pose para as fotografias. Tudo isso ao som da música tema da Fifa e um estádio completamente lotado para cerca de 70 mil pessoas.
O ambiente no estádio não era muito favorável ao Inter. A maioria dos japoneses presentes torcia para o time espanhol. Quando o Barcelona entrou em campo para o aquecimento, por exemplo, foi um festival de aplausos e flashes das arquibancadas.
Isso, porém, não arrefeceu o ânimo dos cerca de mil heróicos colorados, que cantavam e apoiavam o Inter, localizados principalmente atrás da goleira da esquerda. Seus cântigos e gritos podiam ser ouvidos antes do jogo, no aquecimento. “Êeeeeeeeeee, vamo, vamo Inteeeeeeeeeeeeer, vamo, vamo, Inteeeeeeeeeer” ou então o tradicional “Colorado, colorado, nada vai nos separar...” Quando não cantavam, gritavam o nome de todos os jogadores e dos integrantes da comissão técnica, um por um. O presidente Fernando Carvalho também foi homenageado e teve seu nome cantado. A torcida aproveitou para adaptar a letra das músicas ao momento. Ao invés de xingar o nome do tradicional adversário, passou a xingar o Barcelona.
Ao anunciarem os dois times, os japoneses ficaram em silêncio na hora do Inter. Os únicos que tiveram alguma saudação foram Fernandão e Alexandre Pato. Já na hora do Barcelona, a maioria dos nipônicos aplaudiu e festejou, principalmente os nomes de Deco, Ronaldinho Gaúcho e do técnico Frank Rjkaard.
Nas tribunas ao lado de autoridades da Fifa como o presidente da entidade, Joseph Blatter, o presidente Fernando Carvalho levou uma bandeira do Inter e estendeu em uma pequena mureta. Os torcedores também fizeram o mesmo colocando faixas de apoio e de torcidas organizadas em vários pontos do estádio.
A Fifa por sua vez proporcionou uma bonita festa antes de a bola rolar. Garotos entraram em campo com sete bolas gigantes. Seis delas coloridas, representando cada continente. E uma bola maior ainda como uma réplica do globo terrestre.
Um grupo de música pop japonesa entrou em campo e cantou uma música para animar ainda mais a galera. Dois dos integrantes vestiam a camisa do Inter e do Barcelona, uma em cada um. No final da apresentação, os músicos agradeceram com o tradicional “arigatô”.
Os jogadores entraram em campo com as mãos dadas a crianças vestidas de branco. O Inter também estava de branco e com camisas com mangas longas devido ao forte frio que faz nesta época do ano no Japão. Os presidentes dos clubes, da Fifa e de outras entidades foram ao gramado também e cumprimentaram os juízes e os jogadores. O capitão Fernandão apresentava cada jogador às autoridades. Durante os cumprimentos, o presidente Fernando Carvalho abraçou cada atleta colorado.
Passada a festa, era a hora do que realmente interessava. Quando a bola rolou no belo e moderno Estádio Internacional de Yokohama, palco da final da Copa do Mundo de 2002, o Barcelona tentou impor seu jogo de toque de bola no início. O Inter ficou mais postado atrás, tirando os espaços. Aos poucos, o time colorado passou a se soltar mais e ir à frente em busca do gol. Dos 5min aos 15min, foram só chegadas do Inter.
Aos 5min15seg, Welllington Monteiro avançou pelo meio e chutou por cima. Um minuto depois, Fernandão recebeu na frente da área e arrematou rasteiro ao lado do gol. Aos 8min55seg, Rubens Cardoso recebeu passe livre na área, mas o juiz anulou o lance por impedimento. Aos 10min45seg, Ceará cobrou escanteio e pato cabeceou por cima. Aos 13min40seg, Alex lançou para Fernandão, que tocou de cabeça até Alexandre Pato, na área. O atacante tentou o domínio, mas perdeu o lance para a zaga.
A primeira investida mais forte do Barcelona foi aos 15min35seg, quando o italiano Zambrotta cruzou da direita e Gudjohnsen concluiu pressionado ao lado do gol. Na beira do gramado, o técnico Abel Braga tratava de esbravejar com o time pedindo mais atenção na marcação. Aos 15min15seg, Van Bronckhorst recebeu livre na entrada da área e arrematou para defesa de Clemer. No rebote, Ronaldinho, na área, chutou para nova defesa do goleiro colorado.
Em dois lances consecutivos, o Barcelona tentou cavar pênaltis com Ronaldinho e Gudjohnsen, mas o juiz Carlos Batres acertou não marcando. A mesma competência o juiz não teve em lances de falta na frente da área do Inter. Em dois lances, o juiz marcou faltas inexistentes, concedendo o direito do time espanhol tentar o chute a gol.
Aos 20min15seg, Alexandre Pato arriscou de fora da área para fora. Dois minutos depois, o Barcelona respondeu com Giuly cruzando e Gudjohnsen cabeceando ao lado do gol. Aos 25min30seg, o atacante islandês recebeu na área e concluiu por cima. Aos 27min30seg, falta duvidosa de Edinho em Iniesta. Na cobrança, aos 28min20seg, Ronaldinho cobrou rasteiro e Clemer defendeu bem.
Aos 30min35seg, Rubens Cardoso fez boa jogada pela esquerda e cruzou. A bola, porém, atravessou toda a área, sem que ninguém completasse. Aos 34min5seg, Ronaldinho Gaúcho bateu de fora da área ao lado do gol, com perigo. Aos 37min55seg, Índio recebeu na área como elemento surpresa e chutou por cima com perigo. Aos 40min, Pato fez bonita jogada sobre Van Bronckhorst e foi derrubado. Aos 41min20seg, Gudjohnsen recebeu na área e concluiu sobre a zaga. Depois disso, mais nada de relevante ocorreu nas duas áreas. No intervalo, uma mudança para cada time. No Inter, entrou Vargas e saiu Alex. No Barcelona, Zambrotta saiu para a entrada de Beletti.
No segundo tempo, o jogo diminuiu um pouco de ritmo. Aos 4min40seg, Giuly entrou na área e chutou, mas Índio salvou para escanteio. Aos 8min, Vargas tocou para Pato na área, que concluiu muito alto, por cima. Aos 10min35seg, Ceará cortou para o meio, que chutou de fora da área, de canhota, ao lado do gol. Aos 13min, o técnico Frank Rijkaard retirou o volante Motta e colocou Xavi para tentar dar mais qualidade ao meio-campo.
Aos 14min45seg, Deco arriscou de longe ao lado do gol. Aos 16min, saiu Alexandre Pato e entrou Luiz Adriano. Em seguida, depois de cobrança de falta, a bola sobrou para Iarley chutar e Valdes defender. Aos 22min15seg, Giuly recebeu na área e Fabiano Eller salvou com grande desarme para escanteio.
Aos 27min, Índio saiu do campo com o nariz sangrando. Por três intermináveis minutos, o time ficou com um a menos em campo, enquanto o zagueiro era atendido. Aos 28min30seg, Xavi recebeu na área e cruzou, mas a zaga salvou para escanteio.
Aos 30min30seg, saiu Fernandão e entrou Adriano. O jogo passou a ficar dramático para o Inter. Sem o capitão Fernandão e sem Alexandre, o time poderia sentir. Mas aí surgiu o talento de Iarley. O atacante cearense passou a chamar o jogo para si e foi pra cima dos catalães.
Enquanto isso, o Barcelona aumentou o ritmo e tentou pressionar mais. Aos 36min, o gol mais importante da história colorada. Iarley fez grande jogada pelo meio e tocou para Adriano, livre na área. O jogador chutou na saída de Valdes e marcou o gol. Festa colorada em Yokohama.
Aos 37min40seg, Deco avançou pelo meio e chutou para uma defesa sensacional de Clemer. Aos 40min30seg, Ronaldinho Gaúcho teve uma falta a sua feição na frente da área. Mas na hora da cobrança, milhões de colorados o secaram. Ah, e como secaram. A torcida valeu. O chute foi ao lado do gol, arrancando um óóóóóó do estádio e um alívio imenso dos colorados.
Aos 42min45seg, saiu Gudjohnsen e entrou Ezquerro. Enquanto isso, o Inter tocava a bola, prendia-a no ataque e fazia passar o tempo, principalmente com a habilidade de Iarley. Fim de jogo. Inter, campeão do mundo!!!
Às 21h38min do Japão, 10h38min do Brasil, o capitão Fernandão ergueu a taça de campeão do mundo e tornou o mundo colorado de vez! Depois disso, os jogadores deram a tradicional volta olímpica e partiram para a festa que não tem dia, hora ou lugar pra acabar. Legítima festa de campeão do mundo.
BARCELONA 0 x 1 INTERNACIONAL Local: Estádio de Yokohama (Japão) Árbitro: Carlos Batres (Guatemala) Auxiliares: Leonel Leal (Costa Rica) Carlos Pastrana (Honduras) Cartões amarelos: Índio e Adriano (Internacional); Thiago Motta (Barcelona) Gol: Adriano, aos 36 minutos do segundo tempo
BARCELONA Víctor Valdés, Zambrotta (Beletti), Rafa Márquez, Puyol e Van Bronckhorst; Thiago Motta (Xavi), Iniesta e Deco; Giuly, Gudjohnsen (Ezquerro) e Ronaldinho Gaúcho. Técnico: Frank Rijkaard
INTERNACIONAL Clemer, Ceará, Fabiano Eller, Índio, Rubens Cardoso; Edinho, Wellington Monteiro, Alex (Vargas), Fernandão (Adriano); Iarley e Alexandre Pato (Luiz Adriano). Técnico: Abel Braga