Salvador - A Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos do Estado (CNCDO/Bahia) registrou, no fim de semana, duas doações de múltiplos órgãos, ampliando para 15 o número de doações contabilizadas este ano. Para o médico Eraldo Moura, coordenador do Sistema Estadual de Transplantes (Coset), da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), o gesto das famílias que autorizaram a doação deve ser um exemplo, estimulando outras pessoas para que doem órgãos e ajudem a salvar inúmeras vidas.
A doação e a captação dos órgãos, que aconteceram no Hospital Geral do Estado (HGE), possibilitaram aumentar o número de cirurgias de transplantes realizados este ano, no estado, para 186.
Na Bahia, onde são feitos transplantes de rim, fígado, córneas e medula óssea, estima-se que existam menos de dois doadores de órgãos por cada milhão de habitantes, quando o ideal seria em torno de 50 doadores por milhão de habitantes.
Apesar do reduzido número de doadores, Eraldo Moura aponta avanços na área, a exemplo da inclusão, nos cursos de medicina, de um módulo específico sobre transplantes e a inauguração do Banco de Olhos do Estado, que funciona no Hospital Roberto Santos. Entre as metas a alcançar, o médico cita a realização de transplante cardíaco, já em fase de negociação, e pulmonar, num prazo maior.
Sexta (8), será iniciado o módulo do curso de transplantes para os estudantes do oitavo semestre da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). A inclusão dos módulos sobre transplantes nos cursos de medicina foi uma conquista da Coset, considerada de grande importância por Eraldo Moura.
“É fundamental que os estudantes de medicina sejam capacitados para reconhecer e acompanhar potenciais doadores”, explica o médico, lembrando que o currículo dos cursos de medicina não contemplava questões relativas à atividade de transplante de forma mais aprofundada.
O modulo de transplante já contemplou estudantes de medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba), em Salvador, e da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), em Itabuna. O médico Eraldo Moura planeja implantar o módulo também nas escolas de enfermagem. |