Mulheres são destinadas a papéis secundários na mídia
Agência ANSA
Domingo, 26/11/2006 - 16:20
Buenos Aires - Os meios de comunicação continuam delegando mulheres a papéis secundários da informação e na maioria dos casos as apresentam associadas a modelos estéticos ou como donas-de-casa, afirmaram associações femininas e estudos de especialistas em jornalismo.
As imagens negativas sobre as mulheres e a sua inserção secundária nos meios de comunicação são analisadas pelo jornalista argentino Hugo Muleiro em "À margem da agenda, notícias, discriminação e exclusão".
O ensaio, editado recentemente pelo Fundo da Cultura Econômica na América Latina, lembra que a ONG Women Action citou como exemplo que "a seção sobre informação para a mulher do jornal Chicago Tribune é exatamente igual à dos anos 50".
Muleiro também lembra que a versão digital de um jornal colombiano tinha no ano passado um link aparentemente destinado às mulheres intitulado "Banho de mulheres". O Observatório dos Meios de Comunicação do Instituto Nacional das Mulheres (Indujeres) do México coincidiu que os meios de comunicação, à semelhança dos anúncios publicitários, apresentam "imagens de mulheres e crianças em atividades tradicionais e submissas". Essas imagens negativas são transmitidas através das gerações "sem reflexão pelo meio" porque "na escola, na igreja, na rua e em casa recebemos muitíssima informação sobre como devem ser as mulheres e como devem ser os homens, sem apelação possível", refletiu o instituto mexicano. Muleiro reproduz um comentário da escritora nicaragüense Gioconda Belli, que em uma reportagem afirmou que "as mulheres poderosas, em geral, têm que sacrificar a sua feminilidade e se tornar assexuadas". Um estudo da agência Comunicação e Informação das Mulheres e o Instituto para as Mulheres de Cidade do México, demonstrou que nesse país a população feminina representa 52% do total e absorve 38% da força laboral, mas apenas 16% das mulheres são protagonistas das notícias. A Rede de Trabalhadoras da Informação e Comunicação da Bolívia, que acompanhou cinco jornais de seu país, confirmou que as mulheres só apareceram em 18,49% das notícias e, dessa porcentagem, 20% corresponderam a notas sociais, enquanto que na seção educação só apareceram em 6,25%. Muleiro no seu ensaio afirma que a seleção e a publicação de notícias "são determinadas por valorizações e tomadas de posição" e que a notícia ao se transformar em "propriedade privada" dos meios de comunicação, é apresentada sob a perspectiva do emissor em detrimento da do receptor.