Salvador - A série de fotos aéreas produzidas pela Prefeitura de Salvador para compor a Carta Cartográfica Digital da cidade está revelando detalhes inusitados e surpreendentes da ocupação urbana. Um deles é a identificação de construções de grande de porte, com indícios evidentes de serem residências suntuosas, localizadas em áreas de bairros populares, onde ficam meio dissimuladas. A suspeita da Secretaria Municipal de Planejamento, Urbanismo e Meio Ambiente (Seplam) é que elas se beneficiem com a cobrança de impostos mais baixos cobrados em áreas carentes. Caso isto, seja comprovado, vai ser corrigido.
É a primeira vez, em cinqüenta anos que a Prefeitura de Salvador assume a produção das fotos aéreas para organizar o mapeamento da cidade. "A ultima vez que a administração municipal fez este trabalho foi no final dos anos 1950, e utilizando ainda um avião da extinta companhia Cruzeiro do Sul", lembra a arquiteta Ana Lucia de Aragão, da Coordenadoria Central de Informações, da Seplam e responsável pelo projeto atual. Para assumir os trabalhos e produzir as mais de 600 fotos que estão sendo processadas para o mapa, a Prefeitura assinou, através da Seplam, um convênio com o governo do Estado, representado pela Conder.
As fotos, conhecidas tecnicamente como horto fotos, foram produzidas em 60 dias, no horário de 10 às 14 hora e com o tempo firme sem nuvens, para garantir a uniformidade de luz, utilizando aviões bi motores que sobrevoaram a cidade a uma altura de 1.200 m. As imagens obtidas têm a proporção, ou escala de 1:8 mil, significando que cada centímetro no mapa corresponde a uma área de 8 mil centímetros no solo. Imagens de casas, prédios residenciais e comerciais, piscinas, paisagismo e vias de circulação aparecem com nitidez e podem ser observadas sem recursos técnicos. |