Carlos Lombardi conta tudo sobre a novela 'Pé na Jaca'
Com informações da Globo
Sábado, 18/11/2006 - 12:56
Depois de 18 trabalhos na TV e quatro no cinema, Carlos Lombardi “enfia o Pé na Jaca”! O nome inusitado da nova trama das 19h tem despertado o interesse do público mesmo antes da estréia e promete aumentar o currículo de sucessos do autor, que já assinou novelas inesquecíveis como “Bebê a bordo” (1988), “Perigosas Peruas” (1992), “Quatro por Quatro” (1994), além da minissérie “O Quinto dos Infernos” (2002).
Novela, para mim, é difícil. Morro de inveja de quem diz que consegue escrever um capítulo em seis horas.
A idéia de Pé na Jaca surgiu quando ele, paulistano e professor universitário - formado em Comunicação Social -, pensou em trocar a televisão pelo campo. O projeto se mostrou um tanto quanto assustador e até mesmo ridículo, segundo palavras do próprio Lombardi, que resolveu delegar a aventura a um personagem. E aí está! Na entrevista abaixo ele dá mais detalhes sobre sua rotina de trabalho, a trama e a escalação do elenco.
Como surgiu a idéia da novela Pé na Jaca? A história nasceu de mim mesmo, olhando para meu próprio umbigo – se bem que já passei dos 30 há muito tempo. Num dia que queria mandar tudo para o inferno e recomeçar minha vida longe de televisão e de todo o universo profissional que me cerca, flertei com a idéia de mudar, com mulher e filhos, para o interior, para trabalhar com meu sogro. Claro que a fantasia começou a se mostrar um pesadelo cômico. Por mais que estivesse cheio de muita coisa do meu trabalho, a perspectiva alternativa ia ficando cada vez mais assustadora e, claro, ridícula. Eu, vivendo no mato, com meu DNA ridiculamente urbano, não ia dar certo. E aí, claro, veio a idéia: e se um personagem meu fosse obrigado a fazer isso? Comecei a pensar uma das tramas e, meio que naturalmente, descobri que o tema da novela seria ‘recomeços’. Gente que tem uma vida estruturada, filhos – por isso, não podiam ser personagens com 20 anos –, que já alcançaram, cada um a seu jeito, um objetivo que tinham na vida e, por um motivo ou outro, são arrancados de seus trilhos na vida, sendo obrigados a começar compulsoriamente de novo.
A ação e a comédia são os gêneros que predominam na novela? E o romance, também terá lugar na trama? Sempre escrevo romances. Conto os romances freqüentemente com uma mistura do registro de comédia e melodrama – mas sempre faço romances. É só perguntar para o noveleiro e citar alguns dos meus casais, é o que as pessoas lembram de minhas novelas. Casais como Raí e Babalú, Baldochi e Maria João, Lola e Esteban.
Você gosta de participar da escolha do elenco? Gosto, porque novela não tem rascunho nem passar a limpo. Não importa o que eu escrevo, a página não existe. O que existe é o registro no vídeo, ou seja, todo meu texto é veiculado através de um elenco. O personagem só existe através de uma encarnação que é o ator ou a atriz. Portanto, gosto de saber com quem trabalho. Gosto de misturar gente que já trabalhou comigo com gente que estou esperando faz tempo para trabalhar – o que é um bom resumo deste elenco atual. Porque, independentemente do que esta pessoa ou aquela considere bons ou maus atores, há vários que sei que sabem ler meu texto muito bem. E isso é fundamental numa novela.
Como é sua rotina para escrever os capítulos da novela? Quatorze horas de trabalho por dia – e o que sobra infernizando meus colaboradores. Novela, para mim, é difícil. Morro de inveja de quem diz que consegue escrever um capítulo em seis horas. Não tenho essa capacidade nem com alguém me apontando uma arma.