Primeiro de tudo, queria dar uma definição simples para o título: gay = homossexual masculino (prefiro falar somente nesse gênero); mulher = heterosexual feminino; "fechação" = brincadeiras, desmunhecamento, gay afeminado, trejeitos e estereótipo do gay masculino.
Afinal, porque os gays geralmente são afeminados, cheios de trejeitos, "moles" e "fecham"? Será que é uma questão hormonal, uma questão de baixa auto-estima, uma questão de comportamento?
Prefiro acreditar que seja um conjunto desses fatores, em que a baixa auto-estima e o comportamento tenham maior peso. Não creio muito que os hormônios tenham peso muito grande (será que gay tem excesso de hormônio feminino?), pois se assim o fosse, as mulheres seriam as mais "fechativas", moles e cheias de trejeitos (?). Então, me resta mesmo as questões de estima e comportamento.
A baixa auto-estima pode levar o gay a sentir-se inferior a todo o resto da raça humana. Naturalmente discriminado, principalmente no seio da família, a tendência é "fugir" - literalmente - de casa ou preferir outras fugas. Alguns se refugiam nas drogas; outros se enclausuram numa religião, preferencialmente as religiões que mais discriminam; outros, ainda, preferem se "camuflar" de mulher, para contra-atacar as agressões que recebem da sociedade. Nessa fuga desabalada e não planejada, vai entrando num ritmo comportamental, muitas vezes "copiado" de outros gays que já estão enlouquecidos, e se transformando, como eles, numa personagem estranha. Vai forjando uma máscara comportamental em torno de si, e vai, cada vez mais se perdendo e acreditando, piamente, que aquele gay enlouquecido em que se transformou é o verdadeiro EU, que é a sua verdadeira personalidade.
Já "enlouquecido" (entenda-se, perdido em sua real personalidade), ele vai causar cada vez mais estranheza nas pessoas ao redor; causando estranheza, vai ser "olhado" e julgado por muito mais pessoas; por causa de sua baixa auto-estima, vai sentir-se acuado pelos olhares e vai querer revidar e contra-atacar, já que esses olhares vão significar para ele uma agressão e uma não "aceitação" por parte da sociedade. Aí, sim, ele entra em um turbilhão de novos comportamentos estereotipados e vai, numa ciranda sem fim, entrando num ritmo de vida cada vez mais "fechativo"... Aonde vai chegar??? Só Deus sabe. Alguns passam a se travestir, outros passam a assumirem-se como se fossem mulheres de verdade, outros se transformam na noite, fazendo shows em points gls.
Talvez, e acredito que sim, haja muitas outras explicações para esse tipo de comportamento de alguns gays. E dentro da "comunidade", há os que criticam e os que aplaudem. Mesmo sem fazer uma análise profunda do que há por trás do comportamento "fechativo", muitos vão entrando na onda e acabam perdidos e perdendo a identidade. Observe-se que o comportamento "fechativo", com trejeitos e estereótipos, nunca vem desacompanhado de um linguajar chulo e também agressivo... É um conjunto que se auto-completa. E esses gays acabam sendo discriminados até mesmo por outros gays, que preferem um comportamento menos espalhafatoso.
Mas por que a associação da figura do gay com a mulher? Por que os gays chamados "passivos" são chamados de "mulher", em tom pejorativo? Se fosse para elevar a auto-estima, dar a eles o STATUS de um ser evoluído e sensível, seria ótimo. Mas quando um gay chama outro gay de "mulher", é para humilhar a esse gay e para dizer que ele tem um status inferior. É verdade que a mulher, no mundo atual, já ocupa outro patamar, mas a história conta algo próximo do trágico. A mulher só começou a ter direito de votar em eleições a partir de pouco tempo; a mulher ainda ganha um salário inferior; a mulher, em países mulçumanos, ainda é proibida até mesmo de sair desacompanhada de uma figura masculina, de estudar, de trabalhar, de dar opinião.
Quando um gay chama ao outro de "mulher", ou se auto-intitula com esse substantivo, está demonstrando que sua auto-estima está em baixa e que ele rejeita a sua própria condição de gay, está repetindo a discriminação que a sociedade lhe impõe. Ser gay não diminui ninguém, não desqualifica ninguém, não torna ninguém menos importante. Muito pelo contrário. Ser gay é ser igual a todo mundo, é ser diferente apenas na forma de sentir prazer e de amar ao ser humano. Ser gay é motivo de orgulho, e de sentir-se um ser especial. É desnecessário, portanto, a "fechação", o ser "mole", o ser "mulher", para ser aceito e para ocupar um espaço no mundo.
* Valdeck Almeida de Jesus é presidente do fã-clube do Jean Wyllys.