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EUA alertam para a síndrome de dependência da internet
  • Agência ANSA
  • Quinta-feira, 16/11/2006 - 18:54

    Nova York - A Internet está criando uma forte dependência entre seus usuários provocando verdadeiras crises de abstinência e compromisso nas relações com o próximo, alertou um estudo da Universidade de Stanford, na Califórnia (Estados Unidos).

    A pesquisa foi divulgada no último número da CNS Spectrums, uma respeitada revista norte-americana de neuropsiquiatria.

    O problema não é novo nos meios científicos, mas o estudo oferece, pela primeira vez, um panorama analítico completo sobre aquela que se pode definir como "a síndrome da dependência da Web".

    Sobre um total de 2.581 pessoas entrevistadas em 2005, 14% admitiram não poder passar mais que dois ou três dias sem a Internet, número este que assusta a American Psychiatric Association (APA), a associação que reúne os psiquiatras norte-americanos e que incluirá oficialmente esta síndrome na próxima edição de seu manual de diagnóstico.

    Como todas as doenças, aquelas originadas pela Internet também têm uma sintomatologia específica: olhos irritados, lesões nas mãos e fácil irritabilidade, entre as mais comuns; mas são, sobretudo, as conseqüências as que preocupam os médicos.

    Cerca de 6% dos entrevistados confessaram que o uso excessivo da Internet comprometeu fortemente suas relações familiares e sociais, levando em casos extremos também à separação de casais aparentemente bem estruturados. Também aumentou o absentismo no trabalho, ao qual se soma o abandono da higiene pessoal e a dos filhos.

    Simbólico é o caso de Carla Toebe, uma dona-de-casa de Richland, no estado de Washington, que chegou a ficar diante do monitor 15 horas diárias. "Não precisava considerar as horas na frente do computador, mas aquelas perdidas em outras atividades", explicou Maressa Orzach, docente da Universidade de Harvard.

    Estatisticamente, na verdade, uma hora de Internet diminuiria os contatos com os familiares em 24 minutos, enquanto reduziria o sono em quase 12 minutos.

    Os entrevistados declararam que, em média, quase 50% do tempo na frente do computador é usado para verificar e responder e-mails; ou batendo papo em programas como o Messenger ou o Skype.

    Entre os jovens são muito difundidos os jogos on-line, que mediante uma pequena parcela mensal, permite desafiar simultaneamente usuários de todos os continentes.
    Nem todos concordam em apontar o dedo contra a Internet. Para Jonathan Bishop, pesquisador comprometido por anos no estudo das comunidades virtuais, "a Internet é um pano de fundo, um ambiente".

    O estudo sugere que para os "os doentes da rede" se deve simplesmente desenvolver um trabalho psicológico que os ajude a colocar, na ordem devida, as prioridades da vida.

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