Governo só libera dinheiro para a Fundação Zerbibini depois de análise
Quinta-feira, 16/11/2006 - 14:26
São Paulo - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou hoje (16), em São Paulo, após uma reunião com o governador de São Paulo, Cláudio Lembo, que o governo federal vai analisar mais detalhadamente os problemas financeiros da Fundação Zerbini, que gerencia o Hospital do Coração (Incor), antes de liberar dinheiro para a fundação.
“O problema da Fundação Zerbini é profundo, não é um problema simples. É uma dívida grande e há problemas operacionais como, por exemplo, a administração do Incor-DF, que não se sustenta, é deficiente”, disse o ministro, em entrevista, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.
A dívida da Fundação Zerbini com bancos e fornecedores é de R$ 245 milhões, e metade dela é com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Segundo o ministro, será necessário um ajuste financeiro e operacional na Fundação Zerbini para que os problemas possam ser solucionados. Para Mantega, a Fundação precisa “cortar gastos e eliminar atividades deficitárias” para poder manter a sua “sustentabilidade operacional”.
Mantega comparou os problemas financeiros da Fundação Zerbini com um paciente internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “Não adianta colocar dinheiro agora, dar um alívio e oxigênio, e o paciente continuar na UTI. Temos que tirar o paciente da UTI. Mas isso não se resolve dando um pequeno aporte de dinheiro. Isso pode prolongar uma situação de desequilíbrio e nós não queremos prolongá-la”.
Para o ministro, é preciso “parar de dar aspirina e fazer uma intervenção cirúrgica” na Fundação Zerbini, modificando a sua gestão.
De imediato, o governo federal e o governo paulista vão criar uma comissão para estudar o problema. “Vamos fazer uma análise em conjunto para ver de que forma poderemos ajudar no saneamento dessa instituição”, disse o ministro, acrescentando que pretende se encontrar ainda hoje com o ministro da Saúde, Agenor Álvares, em Brasília.
Sobre o problema dos salários dos médicos do Incor, cuja complementação era paga pela fundação, Luís Roberto Barradas Barata, secretário estadual de Saúde, disse que o governo vai se responsabilizar por esse pagamento. “Enquanto essa crise financeira impossibilitar a Fundação Zerbini de pagar essa complementação, ela vai ser feita pelo governo do estado”.
Segundo o ministro Mantega, além do pagamento da complementação salarial, o governo estadual também se responsabilizou pelo fornecimento de medicamentos para o Incor.