Lauro de Freitas - Primeiro município da Bahia e segundo do país a implantar a Lei 10.639/03, que obriga as escolas do Ensino Fundamental e Médio das redes públicas e privadas a inserirem nos seus currículos história e cultura da África, Lauro de Freitas abriu sexta-feira as comemorações do Mês da Consciência Negra com um balanço das ações afirmativas desenvolvidas no município.
| | Evento faz balanço das ações desenvolvidas no município | “O avanço é significativo na educação, ao discutir em sala de aula a contribuição da África na formação do povo brasileiro, e na transversalidade das políticas públicas, sobretudo no combate ao desemprego”, destacou o diretor do Departamento de Promoção da Igualdade Racial - DPIR, Eriosvaldo Menezes, durante o Seminário Olhares para a empregabilidade e renda dos afro-descendentes. Para a secretária do Trabalho, Assistência Social e Cidadania, Maria de Lourdes Lobo, o caráter democrático da gestão da prefeita Moema Gramacho está permitindo a que a população debata, proponha e participe da execução das ações afirmativas reforçando o sentido da promoção da igualdade racial. O diretor do DPIR também destacou o esforço do poder público municipal para sensibilizar empresas instalados ou que estão vindo para o município, a contratar mão de obra local.
“Uma empresa saltou de 90 funcionários para 400, 60% deles negros e desses, 80% são mulheres, a maioria no primeiro emprego”, festeja. No município, que tem mais de 80% da sua população composta por afro-descendentes, outras ações buscam preservar a cultura de matriz africana ao mesmo tempo em que profissionaliza jovens e gera trabalho e renda. “É o caso da capoeira, com a inclusão do esporte, trazido pelos negros escravos, no currículo escolar, e a criação do Pólo de Capoeira que além de estimular a prática, desenvolve toda a cadeia produtiva - fabricação de instrumentos, vestuário e artesanatos – atrai o turismo e eleva a auto-estima da população”, destaca o diretor do DPIR. O projeto já conta, inclusive, com uma Orquestra de Berimbaus regida pelo maestro Fred Dantas. A preservação e valorização dos saberes trazidos da África - culinária, música, dança, as ervas e práticas de cura, e outras artes e ofícios – foram destaques no seminário. O historiador Jaime Sodré lembrou a contribuição dos afro-descendente na economia do país. Dos amoladores de tesoura, que enquanto afiam as ferramentas de trabalho cantam, marceneiros e mecânicos, “até o que era, na época, uma classe social privilegiada, os trabalhadores das docas, que fundaram o primeiro sindicato de trabalhadores negros e deram uma valiosa contribuição à cultura com a criação do Filhos de Gandhi”. |