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Indígenas
Dinheiro da Vale não é usado para comprar roupa e relógio
Sexta-feira, 20/10/2006 - 20:19

Brasília - Os quase mil índios Xikrin que vivem na terra Catete, no Pará, recebem anualmente da Companhia Vale do Rio Doce R$ 9 milhões. Os recursos são administrados por duas associações indígenas, ligadas a cada uma das duas aldeias localizadas nos 420 mil hectares vizinhos de uma mina de ferro explorada pela empresa. As aldeias Catete e Djudjekô ficam distantes 16 quilômetros uma da outra.

Nesta semana, os índios ocuparam as instalações da Vale em Marabá (PA) para reivindicar uma discussão sobre o reajuste dos repasses que, segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), estava prevista desde maio.

O gerente da Associação Indígena Kakarekré (ligada à aldeia Djudjekô), Francisco de Oliveira Ramos, afirmou em entrevista à Agência Brasil que “o dinheiro não é usado para comprar roupa e relógio, como algumas pessoas pensam”. E explicou que "esse dinheiro é usado em transporte, em atividades produtivas, em educação, na compra de combustível para geração de energia, na vigilância da terra, na promoção da saúde, da subsistência dos índios”.

De acordo com Ramos, a última discussão sobre os repasses ocorreu em 2004. Ele defendeu a definição de um índice – "o de inflação, talvez" – que reajustasse o valor “sem que fosse necessário esse desgaste, que acontece todo ano”.

Neste ano, informou, “construímos seis casas na aldeia Djudjekô, casas de 130 metros quadrados, em que vivem às vezes três famílias – há um déficit de moradia”. Ramos afirmou que a cidade de referência dos índios Xikrin para necessidades hospitalares, por exemplo, é Marabá, distante 450 quilômetros da terra Catete. “Dentro de toda a terra há apenas 137 quilômetros de estrada. São estradas feitas com cuidado, sem devastação da mata, quase trilhas, e precisamos fazer a manutenção delas constantemente. Depois de todo inverno, quando chove, as pequenas pontes ficam danificadas, as estradas ficam obstruídas. Isso tem um custo”.

O gerente da associação também disse que a escola “de quatro salas” da comunidade foi construída com recursos repassados pela Vale. Segundo ele, três professores e uma merendeira da escola são pagos pelo município de Paraupebas (PA) e a associação fornece uma ajuda de um salário mínimo aos funcionários. Um quarto professor, índio, tem o salário pago integralmente pela associação, acrescentou.

“Os bancos, as instituições financeiras, que financiaram o empreendimento da Vale exigiram contrapartidas da empresa em benefício dos índios da região. Não é caridade”, avaliou.

A Companhia Vale do Rio Doce, uma das maiores empresas de mineração e metais do mundo, atua em 14 estados brasileiros e em cinco continentes. A produção diária da empresa em Carajás é de 250 mil toneladas de minério de ferro.

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