Salvador - Cerca de 100 moradores e líderes dos 19 acampamentos do Movimento dos Sem-Teto de Salvador (MSTS) reuniram-se com representantes de órgãos públicos e organizações não-governamentais, envolvidos com a questão, para falar sobre o cooperativismo popular urbano. A iniciativa, articulada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Sedes), partiu da solicitação dos líderes do MSTS que desejavam discutir com os poderes públicos a melhor forma de atendimento à população desses acampamentos.
A reunião aconteceu no auditório da Secretaria Municipal da Administração (Sead), nos Barris, com a participação de representantes da Sedes, Ministério Público, Limpurb, secretarias municipais da Habitação (Sehab) e de Economia, Emprego e Renda (Sempre), Banco do Brasil, Sebrae, Pangea - Centro de Estudos Socioambientais, entre outros órgãos e instituições.
“Todos estão interessados em ouvir as pessoas que habitam esses acampamentos para ver de que forma podemos diminuir as suas necessidades”, disse o subsecretário da Sedes, Luis Rogério Cruz, que defende uma parceria entre os órgãos para ampliar e melhorar o atendimento. De acordo com os líderes do MSTS, existem atualmente três mil famílias, distribuídas nos acampamentos da capital baiana, com uma média de três crianças para cada família. "Mas o número vem aumentando", alerta o coordenador estadual do movimento, Ildemário Proença.
"Estamos agilizando ações, através dos programas administrados pela Sedes, para melhorar as condições de vida dessas pessoas", destacou Luis Rogério Cruz, referindo-se ao cadastramento realizado com os sem-teto do Clube Português, onde todas as pessoas que tinham o perfil do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) ou do Benefício da Prestação Continuada (BPC) foram inseridas nos programas, além de muitos terem sido encaminhados para tirar documentação.
“A nossa principal reivindicação é emprego e renda, mas sabemos que isso não pode ser resolvido da noite para o dia”, afirmou Ildemário Proença, que disse ter ficado satisfeito com o encontro. Ele pediu apoio para agilizar a criação da Associação dos Trabalhadores Sem-Teto, entidade que de acordo com ele vai intermediar a mão-de-obra desse público. |