Depois de históricos anos amarrada a uma política autoritária, antiga e cheia de ranços opressores finalmente comemoramos. O almoço da terça-feira desta semana entre velhos amigos jornalistas militantes da esquerda mostrou-nos uma nova face da Bahia. “ Pois é companheiro, conseguimos, finalmente, ver o final político do Velho Cabeça Branca, aquele que um dia, nos idos dos anos 80, quando era repórter do então combatente jornal Tribuna da Bahia, e fui fazer uma cobertura política de ACM no Aeroporto, e ele, irritado com uma pergunta ferina sobre o caso NET, me deu um empurrãozinho, de leve, porque o então ministro das Comunicações era soberano em tudo e não cabia perguntas que o irritasse.
Então, companheiro, entre os que se elegeram nessae eleições de 2006 e os que foram derrotados, quem você destaca. “Além da derrota do Carlismo eu também gostei da derrota de Delfim Neto”. Só? Questionei!. “ Já tá bom.”, disse ele. “ E a volta do Collor, e a saída de Yulo, e a segunda suplencia de Emiliano e ...? “ Então, mas isso aí a gente absorve, essas pessoas tem como continuar trabalhando pela defesa da boa politica”, completou um colega ao lado.
A vitória de um ex-camelô, com poucos recursos financeiros, e muita gente de coração e almas boas, com vontade de guerreiros para uma vitória decente e necessária, também chamou a atenção. Mostra que um deputado como Roberto Carlos, que se intitula empregado do povo e realmente tem a humildade e a coragem de trabalhar na defesa dos trabalhadores informais, nos dá um certo ânimo para querer continuar acreditando que vale a pena ficar um dia inteiro trabalhando numa eleição, vendo o povo sair cedinho de suas casas, enfrentar fila com decencia, vencer as dificuldades físicas, emocionais e culturais para ir exercer o seu direito de escolher alguém que deposita esperança para a construção de uma vida melhor.
Pena que os programas de governo de muitos dos eleitos não demontram entusiasmo e compromisso com questões sérias como a educação, a geração de emprego e renda e a preservação do meio ambiente. Alguns parecem querer absorver propostas que há muitos anos vem sendo discutidas, como a geração de emprego e renda no mercado informal através do incentivo e apoio a programas de reciclagem como valor agregado ao saneamento. Esses parlamentares podem estar começando a fazer a diferença e dar um salto para a inserção do Brasil numa grande e complicada questão é o problema do tratamento do lixo. Campanhas como a da AMA – Amigos do Meio Ambiente, que contou com o apoio de deputados como Roberto Carlos, ao inserir em suas peças publicitárias a expressão “Seja um Amigo do Meio Ambiente, não jogue esse impresso no lixo”, já mostrou um avanço na discussão e nova postura com o meio ambiente.
As perspectivas de implantação de ações da campanha “Desperdício Zero, rumo ao lixo Zero”, são otimistas porque vem crescendo as exigências com relação ao lixo individual e também ao coletivo, mas ainda anda muito distante diante da urgencia e dos prejuizos históricos que os maus hábitos com relação ao tratamento do lixo e o ambiente onde ele se insere. Que a pauta Preservação possa ser prioridade e o que discurso da Sustentabilidade saia das academias para as comunidades de baixa renda. Amém.
* Liliana Peixinho é jornalista, ambientalista, Coordenadora da AMA – Amigos do Meio Ambiente e da REBIA – Nordeste Rede Brasileira de Informação Ambiental.