Salvador - Apesar de não existirem dados oficiais, Salvador está na rota do turismo e exploração sexual contra crianças e adolescentes. Esta afirmação é da diretora nacional do programa Partners, Graça Gardelha, que, junto ao secretário do Desenvolvimento Social, Carlos Ribeiro Soares, fechou, na manhã de hoje (dia 5), os últimos detalhes da assinatura do termo de ajuste para a criação de uma casa de acolhimento. "Ao criarmos um abrigo especifico para esses casos, temos consciência que o trabalho com essas vitimas vai ser bem melhor do que o que existe hoje", garante o secretário.
Atualmente, essas crianças e adolescentes têm à sua disposição 18 abrigos conveniados, que não têm atendimento qualificado para atuar contra esse tipo de violência. "As vítimas do tráfico têm receio de falar porque sentem dificuldades de aceitar esse acolhimento e, normalmente, sustentam financeiramente as suas famílias", informa a assistente social Márcia Santos, que trabalha no Sentinela, uma casa que atende crianças vitimas da exploração e abuso sexual. Para a Sedes, a importância de um acordo como esse é garantir que o atendimento a essa clientela seja qualificado e que seja identificada a rota do tráfico. "Vamos ter mais condições de diagnosticar o que está acontecendo", garante a coordenadora de Promoção do Desenvolvimento Social da Sedes, Sara Almeida.
Na parceria, o Partners deve fazer o treinamento com as equipes técnicas e promover condições materiais para que o abrigo funcione. "Essa proposta vem de uma licitação internacional para pensar em um trabalho voltado ao fortalecimento de crianças e adolescentes vitimados", revela Gardelha. A ONG tem 15 anos de trabalho e deve implantar a casa nos próximos dois anos. "Daremos não só o apoio financeiro, dentro da proposta do ECA, como vamos construir junto com a Prefeitura uma proposta pedagógica que qualifique e especialize as equipes que irão atender essas vitimas", garante Gardelha. |