EUA pretendem perdoar US$19 bi de dívidas da América Latina
Agência ANSA
Terça-feira, 03/10/2006 - 16:01
Cidade do México - O governo dos Estados Unidos pretende conseguir que as instituições multilaterais e os bancos perdoem US$19 bilhões de dívida externa aos países da América Latina, disse no México o secretário de Estado adjunto norte-americano, Thomas Shannon.
"Os Estados Unidos trabalharam com instituições multilaterais e bancos para perdoar pelo menos US$14 bilhões de dívida externa", informou Shannon durante sua participação à noite da LXII Assembléia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que ocorre na capital mexicana.
"Tratamos de tomar a iniciativa do G-8 (de perdoar a dívida dos países mais pobres) e colocá-la no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Se conseguirmos, somaremos outros US$5 bilhões de dívida, alcançando um total de US$19 bilhões", acrescentou.
Reduzir US$19 bilhões equivaleria a perdoar cerca de "US$620 por pessoa" na região, defendeu.
Os Estados Unidos calculam que os países da América Latina gastam cerca de US$50 por habitante em serviços médicos e sanitários, o que significa que ter US$620 "permitirá que os países façam coisas significativas", destacou.
Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), as obrigações externas da América Latina chegam a 16% do Produto Interno Bruto (PIB) da região e em 2007 cairão um ponto percentual.
Shannon garantiu que seu país "gasta em média US$1,6 bilhões por ano na América Latina e no Caribe" e nunca esteve tão envolvido na região como agora.
Como exemplo disso, recordou que em seus cinco anos na presidência dos Estados Unidos, George W. Bush viajou para a América Latina oito vezes.
O secretário adjunto apontou que por meio de acordos de acesso preferencial e tratados de livre comércio "um ambiente no qual 85% de todos os produtos provenientes da América Latina entram nos Estados Unidos sem impostos foi criado".
Shannon advertiu que há alguns obstáculos na região porque existe uma ideologia que se opõe à democratização da sociedade.
"Vemos um retorno à liderança personalista e autoritária, e a democracia é vista como um meio para obter o poder", disse o funcionário norte-americano.
Ainda criticou esta visão política que alguns países compartilham que considera "o desenvolvimento econômico um produto do conflito de classes".
Esta visão competidora não entende o desenvolvimento econômico em termos de "mercado livre, comércio ou integração, e sim que o Estado é o fator controlador e deve empurrar o desenvolvimento", esclareceu.
Esta ideologia defende que a "sociedade empurra o conflito e não o consenso, e por isso somente pode ser controlada por um Estado autoritário".
A única coisa que esses sistemas políticos conseguem é "quebrar as instituições e criar economias que não funcionam", concluiu.