Salvador - Cerca de 32 famílias já estão produzindo e comercializando produtos cultivados na horta comunitária de 10 mil metros quadrados implantada no loteamento Moradas da Lagoa, no bairro de Coutos, em Salvador. O cultivo de produtos orgânicos como coentro, cebolinha, alface, couve, salsa e hortelã se transformou em uma nova alternativa renda dentro do condomínio, construído para ex-moradores de rua e pessoas que viviam em áreas de risco.
A horta é dividida em lotes de 200 e de 400 metros quadrados. A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Secretaria de Combate à Pobreza e às Desigualdades Sociais (Secomp) e a organização não-governamental Associação de Voluntários para o Serviço Internacional (AVSI).
A coordenadora de Ações Socioprodutivas da Secomp, Tereza Cristina Pamponet, explica que, além da horta comunitária, outros projetos para geração de trabalho e renda também estão sendo fomentados entre os moradores do loteamento e a população do entorno. “A idéia é fortalecer as iniciativas produtivas que já existem, mas que nem sempre estão organizadas, para que possam se tornar auto-sustentáveis. Queremos potencializar isso porque já existe um capital social na comunidade”, diz.
Judite Barbosa Alves, 55 anos, é uma das moradoras que cultivam hortaliças e verduras. Para ela, a horta comunitária já representa mais do que uma alternativa de renda. “É uma coisa muito boa porque, com 55 anos, isso aqui é tipo uma terapia pra mim”, conta. Ela pondera que ainda existem algumas dificuldades como a irrigação do terreno. “Tem algumas dificuldades, mas pra muitos aqui é bom demais. O pão não falta e a gente ainda tira pra se alimentar. Eu gosto demais. Pra mim, se um dia acabar, vai ser uma tristeza”, diz.
Para Maria José Alves dos Santos, 42 anos, que tem um lote de 400 metros quadrados, a horta também está servindo como um meio de sustento. “Sou do interior e pra mim é bom porque já sou acostumada a trabalhar na terra. Tiro o meu sustento. Não dá pra tudo, mas dá pra maioria. Pra mim está sendo ótimo”, diz. Zezé, como é conhecida, conta que trabalha todos os dias na horta. “Passo o dia todinho aqui. Só saio quatro e meia da tarde para pegar duas crianças na creche. Tomo conta delas até a mãe chegar do trabalho”, explica. |